<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-34312315</id><updated>2011-11-01T09:32:53.411-07:00</updated><title type='text'>off line</title><subtitle type='html'>Blog para divulgação de artigos e textos jornalísticos que transgridam o conceito do jornalismo online.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Roger</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17203552484862162917</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>24</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34312315.post-3425973796768461225</id><published>2011-09-28T17:27:00.000-07:00</published><updated>2011-09-28T18:54:48.075-07:00</updated><title type='text'>Elefante sobre o Epte: cresce a organização para amplificar o som das big bands</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-qE1Q2xu5y_4/ToPBat6kyWI/AAAAAAAAAC8/pTa8g6MwvjE/s1600/monelefante.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 392px; height: 313px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-qE1Q2xu5y_4/ToPBat6kyWI/AAAAAAAAAC8/pTa8g6MwvjE/s400/monelefante.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5657578221653510498" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Qual banda nacional ou internacional você mais admira?”, perguntou a repórter Andréa Fischer a Luís Fernando Veríssimo, para o texto de capa da revista TopMed Magazine, de abril, maio e junho de 2011. “São muitas. Só estou um pouco desatualizado em matéria de jazz. Sempre digo que só confio em músicos de jazz que estejam mortos há pelo menos cinco anos”, respondeu. Ele é modesto. E muito bem humorado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na foto publicada na página que ilustra a pergunta, ele sorri, de leve, abraçado ao saxofone. “Você ensaia com o grupo ou separado?”, perguntou a repórter. “Ensaiamos nas apresentações. Me envergonho de dizer.” Boa parte do jazz, ou música instrumental, ou música instrumental brasileira -  ou seja lá o nome mais apropriado - tem essa característica: "ensaiar" ao vivo. Existe, geralmente, um tema, que é o que pode fisgar o ouvinte e, ao longo da música, os músicos improvisam. É só combinar a regra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tem mais gente “ensaiando” ao vivo. Só para citar um caso: o Movimento Elefantes, que reúne dez big bands, que se apresentam com maior frequência no Teatro da Vila, em São Paulo. “Big” porque realmente são bandas imensas, com naipe de metais, bateria, percussão, guitarra, piano e o que mais puder entrar. Além de desenvolverem repertório autoral, colocam em prática composições de músicos consagrados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-LfS0IkGOVnQ/ToPGWMUi00I/AAAAAAAAADU/9x_fuoQsPzo/s1600/DSCN0855.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-LfS0IkGOVnQ/ToPGWMUi00I/AAAAAAAAADU/9x_fuoQsPzo/s200/DSCN0855.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5657583641474290498" /&gt;&lt;/a&gt;Recentemente, por exemplo, o movimento lançou um disco com uma música de cada banda. Em 2009, haviam lançado um DVD, quando o Elefantes reunia nove bandas. A Banda Urbana foi a escolhida para abrir o disco com a música “Casa da Sogra”, composição de Léa Freire e arranjo do trompetista Rubinho Antunes, que agora torce para o São Paulo em Paris. A banda Savana, comandanda pelo maestro Branco, apresenta no disco o “Ponteio da Savana”, composição feita em homenagem à banda pelo maestro Edmundo Villani-Côrtes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sequência: Projeto Meretrio com “Os primeiros serão só os primeiros”, composição e arranjo de Emiliano Sampaio; Orquestra Heartbreakers, “Não se aborreça”, composição de Guga Stroeter, Patricia Secchis e Yaniel Matos, com arranjo de Dino Barioni; Reteté Big Band, “Remember Pastels”, composição e arranjo de Thiago Alves; Banda Jazzco, “Sambalombra”, de Amador Bueno; Projeto Coisa Fina, “Dia Seguinte”, de Vinícius Pereira, com arranjo do próprio Vinícius e Vittor Cáffaro; Grupo Comboio, “Samba Pra Dori”, composição e arranjo de Rui Barossi; Soundscape Big Band, “Circlos”, de Gustavo Bugni; e a Big da Santa, com “Duda no Frevo”, de Senê e arranjo de Paulo Tinê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-fAdRCPd-RVQ/ToPHBvBeUeI/AAAAAAAAADc/JxjYWvFpG3c/s1600/Maestro%2BBranco.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 134px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-fAdRCPd-RVQ/ToPHBvBeUeI/AAAAAAAAADc/JxjYWvFpG3c/s200/Maestro%2BBranco.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5657584389523919330" /&gt;&lt;/a&gt;O grande problema: ouvir um disco não é a mesma coisa que estar de frente a uma orquestra, quebrando a barreira imposta pela reprodutibilidade técnica de um disco. Um amigo frequentemente usa um exemplo importante sobre a música ao vivo: é o mesmo que entrar na água. A que Claude Monet pintou no quadro “Canoa sobre o Epte” está sempre em movimento. Mas só ao vivo é possível perceber isso. Abaixo, a entrevista  feita por e-mail com Vinícius Pereira, o principal líder do movimento, que discute aqui as dificuldades em colocar o Elefante para navegar por vários outros rios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Desaprendemos a gastar com cultura"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Movimento Elefantes foi criado para dar força às big bands e divulgar essa sonoridade para um maior número de pessoas. É possível mensurar essa exposição? Quantos shows foram feitos no primeiro ano de existência do movimento, quantos shows são feitos hoje?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vinícius Pereira - &lt;/strong&gt;Uma média de 65 shows por ano somando o Teatro da Vila, mais as temporadas fora (SESCS e afins) sem contar os shows fechados individualmente pelas bandas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Há alguma ideia sobre o número de pessoas que já tiveram acesso ao som de cada uma das 10 bandas?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vinícius Pereira -&lt;/strong&gt; No Teatro da Vila a média é de 60 pessoas por show. 44 shows por ano. No Museu da Casa Brasileira (ano passado foram 10) a média foi de 450 por show. Fora Virada Cultural, Carnaval na Contramão, virge... num sei te dizer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Disco e DVD são importantes para difundir o som. Mas nada substitui um show. Em sua opinião, porque parece ser tão difícil levar o Movimento para outras cidades, outros Estados, considerando, claro, que há sempre uma ou outra banda com participação de festivais importantes, como a Mostra Internacional de Música de Olinda (Mimo), que você participou com o Projeto Coisa Fina recentemente.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vinícius Pereira - &lt;/strong&gt;Por que desaprendemos a gastar com cultura. Substituímos a arte pelo entretenimento. Então pagamos um valor fixo mensal pelo canal de TV ou pelo acesso à NET. Fui assistir a um show incrível da Léa Freire na Casa do Núcleo, R$ 20,00 eu + R$ 20,00 a patroa. Em uma horinha e meia gastamos quarentão. É uma grana. Mas foi um puta show. Foda. Eu to reclamando de R$ 40, mas na semana passada fomos jantar com uns amigos numa pizzaria lá e a nossa parte ficou em R$ 80... Mas na hora ninguém reclamou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O povo tá mal acostumado. Só assiste show de graça. O governo subsidia as apresentações artísticas e o SESC também. Por um lado é ótimo, o artista tem trabalho. Agora quando eles param de subsidiar, ou quando julgam caro o seu produto, você não se apresenta, por que o público foi educado a não pagar por arte, por que tem de graça. O público paga por entretenimento...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No pague quanto vale no Teatro da Vila a média de arrecadação tem sido “R$ 2,41 por pessoa”... Ou seja: precisamos reeducar as pessoas a investir em arte. É um processo que temos de viver e contar também com a ajuda daqueles conscientes, a ajudar a levar os amigos a viver a experiência do ao vivo, para ver que vale o investimento! Eu mesmo não saia de casa para ver um show a meses... depois do show de ontem (20/09), da Léa, me inspirou a ir hoje ver o Zé Menezes (que já está com 90 anos! www.zemenezes.com.br - integrou o Sexteto Radamés Gnatalli e se apresentava com o Garoto) e sexta ver o Laércio de Freitas!!! (pianista, maestro e arranjador - http://www.maritaca.art.br/laercio.html e http://www.myspace.com/laerciodefreitas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Q6bgWmpHH1s/ToPCqRlEV5I/AAAAAAAAADE/3Zl9rUa-rHs/s1600/Projeto%2BCoisa%2BFina.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-Q6bgWmpHH1s/ToPCqRlEV5I/AAAAAAAAADE/3Zl9rUa-rHs/s320/Projeto%2BCoisa%2BFina.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5657579588436645778" /&gt;&lt;/a&gt;É tão prazeroso ouvir o som do instrumento do cara, não é uma reprodução, não é o ponto de vista do cameraman, é o meu ponto de vista, audição, olfato e de todos os outros sentidos que não conseguimos catalogar. Mas voltando ao tema das bigs no interior, quanto custa contratar uma big band? Cachê de 15 músicos, transporte, hospedagem, alimentação, produção, impostos... Com o custo da apresentação de uma banda dá pra quase fazer um mês de programação com trios a quintetos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Além de o show ser mais vivo, que outras qualidades um show pode proporcionar? Exemplo: uma coisa é ouvir com fone de ouvido o disco, ou ouvir e ver na TV o DVD, outra é entrar no mar... Uma coisa é ver o carnaval na TV, por exemplo, outra é fazer parte da bateria... Pode falar algo sobre essa relação da tecnologia fazendo a mediação com os sentidos? &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vinícius Pereira - &lt;/strong&gt;O que acontece no palco depende do que acontece na platéia. O público tem um papel fundamental no resultado musical de qualquer apresentação. Quando o músico está inteiro, realmente envolvido com a música que está fazendo, é inevitável o público sentir tudo isso e gerar sensações indescritíveis que o público manisfestará ao final da música seja com aplausos, gritos, assovios etc... Quando essa energia volta pro palco o músico percebe que sim, que não era coisa da cabeça dele, acontecetu arte ali mesmo e isso o deixa mais seguro e à vontade para se deixar levar mais, para se deixar tomar por aquela coisa que não dá pra descrever e deixar acontecer arte na frente de todo mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais o público está inteiro na apresentação, mais encorajado o artista se sente para despirse diante dele e se arriscar a dizer o que sabe e o que não sabe, a deixar seu corpo se transformar numa ponte entre o objetivo e o subjetivo, entre o cá e o lá, e toda essa energia só prova quem está lá. Assim como a TV não transmite o maravilhoso aroma do perfume daquela atriz, não transmite também essa energia toda que acontece ao vivo. Transmite todas as notas. Mas a energia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não seria o caso de buscar recursos, por meio de crowdfunding, por exemplo, para conseguir concretizar algum projeto de apresentação das bandas do movimento em coretos pelo interior do Estado? Ou promover um contato com diretórios acadêmicos para realizar apresentações em universidades?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vinícius Pereira - &lt;/strong&gt;Pretendemos realizar diversos tipos de projetos de circulação de shows, com os mais diversos parceiros e plataformas de financiamentos. Mas antes, decidimos organizar a casa. Estamos a 3 anos vivendo na informalidade total e agora decidimos que chegou o momento de arrumar a casa, criarmos uma pessoa jurídica para podermos nos inscrever em editais, etc. Estamos elaborando o estatuto da nossa associação!!! Com isso pronto começaremos a buscar parceiros pra nos ajudar a fazer a coisa circular pra valer! E vai dar certo, tenho certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Arte do Elefante sobre o Epte Muito Bem Acompanhado é do menino MTC; foto desfocada da Reteté é do arquivo pessoal de Roger Marzochi; foto do maestro Branco obtida no site da Savana; foto do Projeto Coisa Fina obtida no site da banda.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34312315-3425973796768461225?l=rogermarzochi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/feeds/3425973796768461225/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34312315&amp;postID=3425973796768461225' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/3425973796768461225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/3425973796768461225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/2011/09/elefante-sobre-o-epte-cresce.html' title='Elefante sobre o Epte: cresce a organização para amplificar o som das big bands'/><author><name>Roger</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17203552484862162917</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-qE1Q2xu5y_4/ToPBat6kyWI/AAAAAAAAAC8/pTa8g6MwvjE/s72-c/monelefante.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34312315.post-214592226653203538</id><published>2011-09-14T22:29:00.000-07:00</published><updated>2011-09-14T22:57:29.507-07:00</updated><title type='text'>O ouvido é todo o corpo</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-lxvZzyD9nHo/TnGNklvL7_I/AAAAAAAAACs/F1F_onlo63w/s1600/digitalizar0009.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 158px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-lxvZzyD9nHo/TnGNklvL7_I/AAAAAAAAACs/F1F_onlo63w/s400/digitalizar0009.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5652454667071516658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Os músicos sofrem muitas injustiças nessa vida. No interior de São Paulo, por exemplo, um motel uma vez usou um trechinho da trilha de Miles Davis para o filme "Ascensor para o Cadafalso” (Ascenseur Pour l'échafaud – 1957), de Louis Malle, numa propaganda no rádio. Propaganda enganosa: nenhum motel seria grande o bastante para tantos amantes. E o risco de processo era até maior, ainda mais no interior do planeta, onde as pessoas têm o infeliz prazer de dividir sexo e amor. Em Miles, Barney Wilen (sax tenor), René Urtreger (piano), Pierre Michelot (contrabaixo) e Kenny Clarke (bateria) não há um instante sem sexo e amor, juntos, entre todos e quem escuta, nem que seja por apenas três eternos segundos.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Mas há quem possa não ter escutado a trilha sonora inteira e visto apenas o filme e, acostumado à trilha sonora de videogame ou às reportagens da revista Playboy, acusar quem escreve de ladrão, bicha e maconheiro. “Vejo como as pessoas fazem leituras rasas das coisas. Vira uma manchete assim, do sexo anal, e ninguém reparou que não estava falando de mim, mas de uma maneira geral. Mas o que quiseram deixar como fato foi isso. A gente se revolta porque o mundo é um pouco injusto”, disse a cantora Sandy em entrevista à TV UOL divulgada no dia 31/08, sobre o fatídico dia que causou o gozo no país dos eunucos, quando a supracitada revista divulgou na web trechinhos (eles, de novo) do que viria a ser a sua incrível descoberta.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Ouvido de serpente - &lt;/strong&gt;Tudo isso porque no filme, o romance proibido entre Julien Tavernier (Maurice Ronet) e Florence Carala (Jeanne Moreau, na foto acima com o ouvido no trompete de Miles!) é frustrado. A conversa apaixonada ao telefone logo no início da película e, no fim, as fotos reveladas de seu triste destino, são os únicos momentos visíveis dos vestígios de um amor. O resto é tensão, solidão, desespero e medo. Onde está amor e sexo?&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;A poetisa, cantora e atriz Beatriz Azevedo ensina em “Alegria”, seu último disco, gravado graças ao apoio da Petrobras em cultura, em 2008. Essa mulher de cabelos encaracolados atrai só pela sua beleza, mas que logo revela a extensão da alma em suas letras e em seu ritmo, uma mistura de Brasil e do mundo que, de tão saborosa, vira pop - para a tristeza de quem anda pensando em “salvar o pop”, Beatriz já fez isso há três anos. O disco tem a direção de Cristovão Bastos e músicos como o trombonista Bocato e participações especiais de Vinícius Cantuária e Tom Zé.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Na música e na letra de “Rede”, terceira faixa, além de deixar o ouvinte em êxtase, provoca em prosa: “Devoração de Partido Alto carioca com a mitologia das serpentes, simbolizando sabedoria e cura. As serpentes que protegem a meditação de Buda em sete espirais. O encantador de serpentes precisa dançar com sua flauta – a cobra é surda. Não é o som que encanta, e sim o movimento. Auto-devoração, oroboros.” Bem, de tudo isso, ouvi-la a princípio já desperta o seguinte: o ouvido da cobra é todo o corpo, porque o som da flauta (e da sua voz) também é movimento do ar. Quando se chega em “Circo”, a sexta faixa, a beleza é a da barriga do mundo, no centro de um outro planeta, parece até platônico.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-czcJLYNA5J4/TnGOCELcCfI/AAAAAAAAAC0/-UXX-cyFHwI/s1600/digitalizar0011.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 285px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-czcJLYNA5J4/TnGOCELcCfI/AAAAAAAAAC0/-UXX-cyFHwI/s320/digitalizar0011.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5652455173459282418" /&gt;&lt;/a&gt;Mas esse amor é real, está ao alcance do corpo e da alma, e tem sido emanado por muita gente. Basta ouvir, entrar na água, ir a um show. No dia 29/08, esteve em São Paulo a cantora Karen Souza, sobre a qual não se precisa saber muito, assim como Beatriz, por darem sabor ao que fazem e, igualmente, por dizerem: goste ou não, é isso o que eu faço.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;O show durou para sempre naquele Teatro Bradesco, repleto de gente frente a uma mulher não apenas belíssima, mas com uma voz incrível e uma banda muito feliz, que se inspirava sempre naquilo que a estrela deveria estar esperando como resposta às suas frases, súplicas e mais íntimos segredos, mesmo cantando rock dos anos 80/90 em arranjos jazzísticos. Quando “Tainted Love” parecia o ápice, ela apresentou a banda de um jeito muito bom no meio da música “Wake Up and Make Love With Me”. A devoração poética foi total. E tão completa quanto ouvir Júlia Tygel em “Entremeados”, com Vana Bock, Adriana Holtz, Thais Nicodemo e João Taubkin em declarações de amor eterno à humanidade, abraçados de um lado pela "música popular brasileira" e, de outro, pela música dita "erudita" em uma noite sem lua cheia. No meio deles todos, nós!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34312315-214592226653203538?l=rogermarzochi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/feeds/214592226653203538/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34312315&amp;postID=214592226653203538' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/214592226653203538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/214592226653203538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/2011/09/o-ouvido-e-todo-o-corpo.html' title='O ouvido é todo o corpo'/><author><name>Roger</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17203552484862162917</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-lxvZzyD9nHo/TnGNklvL7_I/AAAAAAAAACs/F1F_onlo63w/s72-c/digitalizar0009.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34312315.post-2105778168910324359</id><published>2011-09-13T14:39:00.000-07:00</published><updated>2011-09-13T15:11:33.026-07:00</updated><title type='text'>Música livre, pero no mucho</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-JYuEcFBOkno/Tm_Ob85XEHI/AAAAAAAAACc/m039tcLTxNk/s1600/digitalizar0007.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 293px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-JYuEcFBOkno/Tm_Ob85XEHI/AAAAAAAAACc/m039tcLTxNk/s320/digitalizar0007.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5651963036971765874" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;p&gt;Se você apontar o dedo no nariz de alguém, saiba que outros três estarão apontados para o seu. É o que diz um amigo, no tempo certo da comédia. E se há beleza na comédia, por que ela é tão rara em “Paralelas”, o novo disco gravado em parceria entre os saxofonistas Marcelo Coelho, do Brasil, e Rodrigo Dominguez, da Argentina, lançado pelo selo especializado em música de qualidade Tratore? &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Há realmente algo de estranho com alguns intelectuais, como já notara Eduardo Galeano. Estuda-se tanto para que se não são capazes de exercer sua liberdade de expressão ou dar sabor ao que fazem? Marcelo Coelho fez mestrado em “Jazz Performance” pela “University of Miami” e tem doutorado em composição pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Nada contra estudar, por favor. Isso é sempre bom aqui ou no exterior. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Mas continuando: “Marcelo atualmente desenvolve seu trabalho de criação no departamento de Música da USP, atráves do laboratório de composição e improvisação, tema do seu projeto de pós-doutorado”, explica o release da assessoria, que antes já havia informado que “Marcelo nos apresenta uma obra digna de nota, que pode dar uma contribuição significativa para o desenvolvimento da linguagem musical contemporânea”. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Ele estudou, conheceu o mundo, aprendeu padrões e técnicas ao máximo para conseguir ser livre. É um trabalho hercúleo o dele, tendo em vista o que já fazem muitos músicos dessa dita área “contemporânea” e está longe de conseguir chegar próximo de material digno de nota como um John Coltrane, Ornette Coleman ou, porque não, de Pixinguinha, Cartola, Heitor Villa-Lobos, Armando Lôbo, Beto Sporleder, Rui Barossi e outros músicos que atualmente exercem plenamente a liberdade, ainda tão almejada por Coelho e Domingues, que esperam passivos pela salvação de alguma alma caridosa para conseguir levar a sua música para o mundo. A iniciativa é também livre. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Essa história de “música livre” nos Estados Unidos não se restringia só a mudanças técnicas, no fazer musical, mas na quebra de padrões pré-estabelecidos num reflexo próximo ao da luta pelos direitos civis. E evoluiu até as experiências do compositor John Cage, maluco beleza que defendia o prazer do som pelo som, sem qualquer relação com sensações e que chegou a fazer a famosa obra 4’33’’, uma orquestra inteira em silêncio durante quatro minutos e trinta e três segundos. Mas há um prazer imenso no silêncio ao vivo e como o silêncio joga para dentro da música quem escuta. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Mas o interessante é: isso não virar rótulo. Quando Villa-Lobos subiu ao palco do Municipal na Semana de Arte Moderna de 22 com um pé com pano e outro sem, era mais por questões de saúde que estéticas, apesar de a imagem do maestro com uma perna na tradição e a outra no popular fosse o símbolo de sua arte livre. Mas a “métrica” livre e inovadora só parece existir de fato quando mudanças muito mais amplas ocorrem na música.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Da mesma forma que o jazz nos EUA acabou incorporando os ruídos das máquinas, da cidade, como por exemplo, no som de um trem, como também fez Villa-Lobos, seja na melodia ou no ritmo, ou em ambos, muita gente consegue fazer música hoje a partir de ordenação do ruído randômico e aleatrório de um computador pessoal com todo o vazio existencial das redes difusas de relacionamentos superficiais. É bom dar uma tungadinha no Facebook sempre. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Pode ser que haja música que represente o fim de uma história de amor; ou o começo de uma nova forma de pensar a sociedade; ou pode não ser nada, mas mesmo assim, de alguma forma inexplicável, gera um prazer ao transmitir o "sabor" de um sentido intangível. Por isso, poético, belo, divino e demoníaco em sua extrema humanidade, capaz de dar dimensões de cor, sabor e, principalemte calor. Ou dane-se Cage, apenas o som do roronar dos pneus no asfalto. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Mas em "Paralelas", Coelho e Dominguez são mais vítimas do vazio existencial e das redes de relacionamento que geradores de prazeres e sentidos intangíveis. Das sete músicas, duas são dignas de nota: “Sono”, composição do brasileiro, e “Lechuza”, tema do argentino. Esta tem um pouquinho mais de sabor que "Sono", porque é a única música onde dá para ouvir um sax soprano e um tenor juntos. O disco todo são os dois tenores buscando se completar. Escute. Mas se embrulhar o estômago, procure na sequência ouvir "Remember Pastels", música de Thiago Alves da Reteté Big Band, que está no novo disco do Movimento Elefantes. Parece que dão valor só quando se faz "irrelevâncias comparadas", importante arte multidisciplinar.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-kLf9RUGjybY/Tm_Ot0ZStPI/AAAAAAAAACk/X6AUNaTEBnA/s1600/digitalizar0008.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 144px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-kLf9RUGjybY/Tm_Ot0ZStPI/AAAAAAAAACk/X6AUNaTEBnA/s320/digitalizar0008.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5651963343927424242" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34312315-2105778168910324359?l=rogermarzochi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/feeds/2105778168910324359/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34312315&amp;postID=2105778168910324359' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/2105778168910324359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/2105778168910324359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/2011/09/musica-livre-pero-no-mucho.html' title='Música livre, pero no mucho'/><author><name>Roger</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17203552484862162917</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-JYuEcFBOkno/Tm_Ob85XEHI/AAAAAAAAACc/m039tcLTxNk/s72-c/digitalizar0007.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34312315.post-3407435992266161815</id><published>2010-07-22T05:07:00.000-07:00</published><updated>2010-07-22T05:22:08.738-07:00</updated><title type='text'>A brisa, o samurai e a Terra</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ikwuT-qHbqw/TEg3bLt6esI/AAAAAAAAAB8/0_7JYRAhxoo/s1600/DSCN0464.JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ikwuT-qHbqw/TEg3bLt6esI/AAAAAAAAAB8/0_7JYRAhxoo/s320/DSCN0464.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5496704285347052226" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E dizem que fumar faz mal à saúde. Sexta-feira, 16 de julho de 2010. 23h33. Saio para comprar pão francês e cigarro na padaria. E um chocolate. Ninguém é de ferro. Na volta, num desses bares de esquina pé sujo, uma banda toca “Samurai”. O rapaz no vocal sente o que está cantando, diz as palavras na medida certa. O groove está garantido, num baixista jovem como o cantor, movendo-se ao ritmo da música com o baterista.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Faltava teclado e sopros? Não importa, porque comparar é pura besteira. Ali, naquele momento, Djavan estava presente. E deveria estar sorrindo, ouvindo caras muito jovens vibrando da mesma forma. “Qual é o nome da banda”, pergunto para o senhor na porta, por traz de uma grade branca, igual a sua camisa, com um bloco na mão. “Brisa”, diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E merece o nome. Tem gente que vai dizer que parece muito romântico, muito bobinho. Mas quem não se rendeu à brisa do mar? Fechar os olhos e poder deixar fluir o som das ondas dentro do corpo, o cheiro e o vento em todo o lugar. E como não se molhar? Muita gente acha cafona, brega e pegajoso demais “Vento no litoral”, do Renato Russo. Já até tem lista na web com a chamada “música para fim de relacionamentos”! Que reducionismo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não dá para dizer que "Samurai" é uma música "alegre". "De começo de relacionamentos." Nem sempre o texto é fiel ao significado. Depende do clima, do ritmo e de quem a faz e ouve. Para alguns, a brisa do mar precisa ser banida. Move o mercado de antiferrugens, lavagens de veículos extras, janelas e batentes resistentes. Quem mora no litoral, sabe como é difícil combatê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não questione o que vem do mar, mas o que vem de dentro. Da terra, jorra petróleo sem parar desde abril. Fumar pode sim fazer mal à saúde, mas o vício antecede a política. E há outros vícios, muito mais arraigados, os quais a Brisa do "Samurai" faz sua defesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Aaaaiii&lt;br /&gt;Quanto querer&lt;br /&gt;Cabe em meu coração..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aaaaaiii...&lt;br /&gt;Me faz sofrer&lt;br /&gt;Faz que me mata&lt;br /&gt;E se não mata fere...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vaaaaiii...&lt;br /&gt;Sem me dizer&lt;br /&gt;Na casa da paixão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saaaaii...&lt;br /&gt;Quando bem quer&lt;br /&gt;Traz uma praga&lt;br /&gt;E me afaga a pele..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crescei, luar&lt;br /&gt;Prá iluminar as trevas&lt;br /&gt;Fundas da paixão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quis lutar&lt;br /&gt;Contra o poder do amor&lt;br /&gt;Cai nos pés do vencedor&lt;br /&gt;Para ser o serviçal&lt;br /&gt;De um samurai&lt;br /&gt;Mas eu tô tão feliz!&lt;br /&gt;Dizem que o amor&lt;br /&gt;Atrai...”&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34312315-3407435992266161815?l=rogermarzochi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/feeds/3407435992266161815/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34312315&amp;postID=3407435992266161815' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/3407435992266161815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/3407435992266161815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/2010/07/brisa-o-samurai-e-terra.html' title='A brisa, o samurai e a Terra'/><author><name>Roger</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17203552484862162917</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ikwuT-qHbqw/TEg3bLt6esI/AAAAAAAAAB8/0_7JYRAhxoo/s72-c/DSCN0464.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34312315.post-3873211232853922392</id><published>2009-12-10T06:09:00.000-08:00</published><updated>2009-12-10T06:23:02.277-08:00</updated><title type='text'>Em defesa da experiência viva da música na escola</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ikwuT-qHbqw/SyEDRcIJyRI/AAAAAAAAAB0/SMXCk2e_dOA/s1600-h/dsc09548.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ikwuT-qHbqw/SyEDRcIJyRI/AAAAAAAAAB0/SMXCk2e_dOA/s320/dsc09548.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5413611825219094802" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Imagine-se num cruzamento de madrugada, ouvindo ao fundo o pulsar distante dos motores de carros, abafados pelo silêncio da noite, entrecortados pelo som mais nítido do temporizador do farol da esquina. Depois, com esse ritmo, componha a sua própria música com o que precisa comunicar. É esse despertar da sensibilidade musical em crianças e adolescentes que tem sido o desafio da vida de Keith Swanwick, educador emérito do Instituto de Educação da Universidade de Londres, que esteve em São Paulo para participar do III Seminário da Associação Amigos do Projeto Guri, que de 19 a 21 de novembro reuniu cerca de 500 educadores para a discussão dos desafios dos projetos culturais. O Guri ensina gratuitamente música a 40 mil crianças e adolescentes do Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com base nas ideias de Piaget, ele desenvolveu a sua "Teoria Espiral do Desenvolvimento Musical" após estudar um grupo de alunos de escolas em Londres, dividindo a aprendizagem em quatro níveis relacionados tanto à idade do aluno quanto ao valor simbólico da música. Foi a partir dessa teoria que ele criou o método "Técnica, Execução, Composição, Literatura e Apreciação" (T.E.C.L.A), que foge ao sistema tradicional ao evitar a abordagem do aluno pelo ensino de um instrumento, pela leitura de partituras, que muitas vezes mais afastam do que aproximam as crianças da música. "A música está fechada em si mesma. O desafio do professor é fazer a aproximação. É evitar o uso dos rótulos", diz o educador, em entrevista à Agência Estado. "O trabalho do professor é evitar que a música se sedimente nas crianças como o concreto, o cimento, que se torne fixa."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual a importância da educação musical? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;KEITH SWANWICK - &lt;/strong&gt;Cada cultura tem a sua língua, e cada grupo, a sua música. Pode ser música religiosa ou de rituais. A música está em todo o lugar. A função da educação musical consiste em despertar a atenção das pessoas para essa música e trazê-la da origem do seu contexto para o primeiro plano. A música é muito importante não apenas pelo prazer em se ouvir, mas por permitir "insights" de sentimentos que não obteríamos de outra forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como o professor pode estimular as crianças a desenvolverem a sua própria música? No Brasil, por exemplo, temos o samba. Seria essa a música que ajudaria no desenvolvimento, por ser parte direta da cultura do País?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SWANWICK - &lt;/strong&gt;Há música em toda parte. Há música nas ruas, na mídia, na TV. Algumas são diretas, específicas, como o samba. Mas outras estão no "background", dentro de um contexto no qual não estamos prestando atenção. E o trabalho da educação musical é trazer a música desse pano de fundo, desse 'background', para o primeiro plano. E fazer isso é começar pelo tipo de música que o estudante já possui. Todos nós possuímos essa música. Localizá-la é muito importante para dar ao estudante a oportunidade de se expressar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como fazer isso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SWANWICK - &lt;/strong&gt;O que fazemos é a forma natural de se fazer música, evitando confinar o estudante à partitura. Isso pode causar um tipo de bloqueio e não é a melhor forma de abordagem. Eu apresento uma música e digo: 'trabalhem com esses sons em grupos. Não o reproduzam simplesmente, mas trabalhem com eles. Mude a velocidade, use a parte que quiser, joga o resto fora.' O aluno decide o que fazer. Ao dar a chance de construir música, eles podem trazer a música que já possuem em suas mentes. E ao aprender a compor estão aprendendo a se comunicar musicalmente. O professor é o facilitador desse processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Algumas escolas ainda obrigam os alunos a aprenderem um instrumento. Isso é correto?&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SWANWICK - &lt;/strong&gt;Na Inglaterra, nós temos uma nova política em que cada criança deve ter a oportunidade de tocar um instrumento. E isso é interpretado da forma mais rígida à mais flexível. A primeira é: toda criança toca flauta, o que é horrível. Em workshops que supervisionei uns trazem violino e trompete; outros, instrumentos simples. E eles misturaram os sons. E eu os estimulo a tocarem não com partitura, mas a partir de imagens. Por exemplo, uma imagem do fogo, seguido de uma floresta, e finalizando num céu com apenas uma nuvem. Cada uma dessas imagens tem uma estrutura e trabalhamos qual o som de cada uma e como fazer a transição entre elas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os professores no Brasil têm habilidade para desenvolver esse tipo de ensino?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SWANWICK - &lt;/strong&gt;Claro que sim. Mas depende da bagagem do professor e do método. Porque o antigo é assim: você dá para a criança um instrumento, e a apresenta uma partitura, sem o estimular a crianças. É uma experiência terrível e a maioria odeia e desiste. Há várias formas de aproximar a criança da música e uma delas é não dar lições individuais. E eles aprendem uns com os outros. Se uma criança toca no tempo certo, outra também tocará. É mais fácil ela aprender com outra criança que com um adulto. Se ela vir seu amigo tocando, vai pensar 'porque eu não posso fazer isso se ele faz?' O grupo é parte importante do processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em seu livro "Ensinando Música Musicalmente", o sr discute que, apesar de a música ter um contexto particular, referindo-se ao tempo e ao universo de quem a criou e por que classe ela é apreciada, há ainda um "contexto musical", no qual o indivíduo pode não conhecer a história de quem a compôs, ou não pertencer ao "grupo sonoro" que o aprecia, mas consegue percebê-la. Como fazer essa transcendência?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SWANWICK - &lt;/strong&gt;Musica é uma atividade social. Certo! Música é criada em um contexto social. Certo! Mas música não é simplesmente determinada pela situação em que é feita. Se você pensa nesses termos, você não poderia apreciar música de outras culturas ou de outros séculos. A menos que o processo possua alguma autonomia, não completa, mas que se possa se libertar do contexto local. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aí entra a educação? Porque, parece-me que a música se transformou em algo como o futebol, com uma função de catarse social...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SWANWICK - &lt;/strong&gt;Você acha o mesmo numa discoteca. A anestesia do ruído e das luzes e das drogas e se esquece dos problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É claro que, muitas vezes, é importante essa anestesia causa pela música...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SWANWICK - &lt;/strong&gt;Sim, mas não dentro da escola! (risos) Não faria parte de um programa governamental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas é que a música parece ter perdido um pouco sua capacidade de mudança, de reflexão.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SWANWICK - &lt;/strong&gt;Hoje a música está fechada em si mesma. A dificuldade do professor é fazer a aproximação. E a minha não é dizer, 'vamos aprender a música de um famoso compositor alemão morto...' O que eu faço é um convite para tocarmos certos ritmos juntos. É evitar o uso dos rótulos culturais, mas focar no processo. O trabalho do professor é evitar que a música se sedimente nas crianças como o concreto, o cimento. Se torne fixa. Porque depois de uma certa idade, ficam fixas. O desafio é trabalhar para evitar isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como você avalia o trabalho com música para crianças infratoras. Ajuda a reintegrá-las à sociedade?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SWANWICK - &lt;/strong&gt;Não é 100%. Só podemos tentar. Muitos dos problemas dessas crianças é que elas não respeitam outras pessoas, porque também não se respeitam. E não se respeitam porque falharam por algum motivo. E buscam uma chance de obter sucesso. Música é uma possibilidade para algumas, não para todas, terem sucesso. Não no sentido de ficarem milionárias, mas se realizarem socialmente. A música é, simplesmente, uma das possibilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Roger Marzochi/AE – Foto de divulgação feita por Rodrigo Rubira, do Projeto Guri)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34312315-3873211232853922392?l=rogermarzochi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/feeds/3873211232853922392/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34312315&amp;postID=3873211232853922392' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/3873211232853922392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/3873211232853922392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/2009/12/educador-defende-experiencia-viva-da.html' title='Em defesa da experiência viva da música na escola'/><author><name>Roger</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17203552484862162917</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ikwuT-qHbqw/SyEDRcIJyRI/AAAAAAAAAB0/SMXCk2e_dOA/s72-c/dsc09548.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34312315.post-414487858851400042</id><published>2009-10-17T10:21:00.000-07:00</published><updated>2009-10-17T10:35:10.880-07:00</updated><title type='text'>A celebração dos 20 anos de uma parceria singular</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ikwuT-qHbqw/Stn-a--m9TI/AAAAAAAAABs/tau5XW-LBTI/s1600-h/Paralelas.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 180px; height: 180px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ikwuT-qHbqw/Stn-a--m9TI/AAAAAAAAABs/tau5XW-LBTI/s320/Paralelas.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5393621768288531762" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um samba, que não é samba. Um rock, que não é rock. Essa dificuldade em se definir a que gênero pertence grande parte da música que continua a fluir do movimento “Vanguarda Paulista”, dos fins dos anos 80 até hoje, não é exclusividade dos críticos. “Minha música é tudo o que não é”, diz categoricamente a cantora Alzira Espíndola, sem o franzir da testa daqueles que procuram, desesperadamente, apenas catalogar.  “A música que tem um rótulo, às vezes, é tão bem feita dentro da sua proposta, que tem que tirar o chapéu. Essa coisa mais de produção de massa é difícil de lidar. Eu não sei, decididamente. Gosto de ser singular e de ter, pelo menos no material, o meu campo onde eu posso cuidar. Cada um está aí para o seu talento.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é nessa singularidade que o movimento, até hoje, obtém seu sucesso, independentemente da venda de discos. Prova disso poderá ser experimentada pelo público de Curitiba, que no sábado (17/10), receberá Alzira e a poetisa Alice Ruiz, sua parceira há 20 anos,  no show do disco “Paralelas”,  no Teatro Paiol. O disco foi lançado em 2005, pela Duncan Discos, da cantora Zélia Duncan, e vendeu uns dois mil exemplares, conta Alice, que está feliz por apresentar, finalmente, o seu trabalho ao vivo para o público da sua cidade natal. E, também, comemorando a vitória de seu segundo prêmio literário. Em setembro, ela venceu o Prêmio Jaboti de Poesia, com o livro “Dois em Um”, com toda sua poesia publicada na década de 80. O primeiro prêmio Jaboti foi com “Vice Versos”, em 1989.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A gente faz uma música que tem certo compromisso com o novo, com certa ruptura. Tem esse feeling de Vanguarda Paulistana. Ambas fomos parceiras do Itamar Assumpção. É um tipo de música que não se não toca muito no rádio e o fato de ter poemas no disco, talvez, cause estranhamento”, comenta Alice, que também não tem por que se preocupar. Primeiro, porque suas poesias, declamadas na música, ou interpretadas por Alzira, Zélia Duncan, Arnaldo Antunes, Cássia Eller e Zeca Baleiro, Dona Zica, entre outros,  ganharam seus espaço dentro ou fora da grande mídia. E, além disso, ela não tem tempo para checar a quantas anda cada uma de suas produções. Está sempre viajando, dando palestras sobre haikais, uma de suas grandes paixões. Além do prêmio literário, está também preparando outros livros. E sua filha, Estrela Ruiz Leminski, caminha nos mesmos passos na poesia e na música, e também participa do show, ao lado das convidadas Rogéria Holtz e Luciana Worms.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Comida é arte –&lt;/strong&gt; Alice espera também levar o show para Campo Grande, terra natal de Alzira. Para que o show seguisse até Curitiba, foi preciso uma grande dedicação da produtora Tatjane Garcia, que correu atrás de patrocínio, batizando o projeto de “Para Elas”.  “Quando a Alice ganhou o segundo Prêmio o projeto ‘Para Elas’ já estava aprovado. Mas o primeiro Jabuti contribuiu na aprovação. Coloquei esse nome porque tem uma música no CD com este título, mas o projeto é para o lançamento do CD Paralelas e a comemoração dos 20 anos de parceria da Alice e da Alzira, que se conheceram em 1989”, diz Tatjane, que conseguiu recursos para o show com a ajuda principal da Eletrosul Centrais Elétricas e da Itaipu Binacional, entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo a produtora, o show também terá o objetivo de levar cultura a duas comunidades quilombolas do Estado. A entrada para o evento será um livro, usado ou novo. Romance, ficção, pode tudo, menos livro didático. “Essas comunidades passam necessidade, mas sempre estão recebendo alimentos. Mas eles também têm outro tipo de fome”, diz Tatjane. Os livros serão enviados para as Comunidades “Paiol de Telha”, em Guarapuaba; e comunidade de “João Sura”, no município de Adrianópolis. &lt;strong&gt;(Roger Marzochi/AE)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34312315-414487858851400042?l=rogermarzochi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/feeds/414487858851400042/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34312315&amp;postID=414487858851400042' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/414487858851400042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/414487858851400042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/2009/10/20-anos-de-uma-parceria-singular-na.html' title='A celebração dos 20 anos de uma parceria singular'/><author><name>Roger</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17203552484862162917</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ikwuT-qHbqw/Stn-a--m9TI/AAAAAAAAABs/tau5XW-LBTI/s72-c/Paralelas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34312315.post-3688327291194024738</id><published>2009-10-05T05:59:00.000-07:00</published><updated>2009-10-05T06:58:40.533-07:00</updated><title type='text'>Em homenagem ao jazz e à música erudita</title><content type='html'>&lt;em&gt;O maestro João Carlos Martins se apresentou na sexta-feira (02/10) com Dave e Chris Brubeck e a Orquestra Bachiana. Como portfólio do meu trabalho, coloco aqui a matéria completa, divulgada em julho. As fotos são de divulgação, cedidas pelo maestro, exceto as imagens da capa da revista Time e da capa do disco Time Out.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Família Brubeck sob a regência de um brasileiro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ikwuT-qHbqw/SsnwbfhwpRI/AAAAAAAAABE/Swys2pv6PZA/s1600-h/chrisMartinsDavejuntospiano.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 221px; height: 166px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ikwuT-qHbqw/SsnwbfhwpRI/AAAAAAAAABE/Swys2pv6PZA/s320/chrisMartinsDavejuntospiano.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389102784235742482" /&gt;&lt;/a&gt; Ele não para. De pé, ouvindo "Brandenburg Gate", composta por Dave Brubeck em homenagem a Johann Sebastian Bach, ele fecha os olhos, balança o corpo num vaivém como o de um metrônomo e, com os braços, circunda no ar os compassos com a ponta dos dedos. Quem não o conhece, poderia supor que ele é mais um dos inúmeros fãs do celebrado músico americano. Mas este admirador especial é o maestro e pianista clássico João Carlos Martins, que está no escritório de sua cobertura, em São Paulo, aproveitando ao máximo o tempo para decorar todos os movimentos de seis obras que regerá com a sua Orquestra Bachiana e seu amigo Dave, no dia 2 de outubro, no Avery Fisher Hall at Lincon Center, em Nova York.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É grande a responsabilidade. E eu tenho que decorar tudo, porque não posso virar a página da partitura", diz, relembrando seu desafio. Devido a acidentes e fatalidades, perdeu a mobilidade dos dedos para o piano. Passou ainda por sucessivas e dolorosas experiências, tanto envolvendo a música como na política. Mas voltou a tocar piano com dois dedos na mão direita, três na esquerda, e ao receber o diagnóstico definitivo dos médicos, decidiu virar maestro, num exemplo de superação pela música, apesar da impossibilidade de folhear as páginas de partitura e manter a batuta em punho. No final do mês, lançará seu novo disco, "Páginas de uma história", que mescla a narrativa de sua história à música. Este mês, esteve em Wilton, Connecticut (EUA), na casa da família Brubeck para ensaiar e acertar os detalhes das apresentações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A amizade entre Brubeck e Martins teve início em 1970, quando o pianista brasileiro, no auge da sua carreira, reconhecido internacionalmente como o maior interprete de Bach, fazia um recital no Anchorage Festival, no Alasca. "O que nós ouvimos foi impressionante", relembra Dave, na contracapa do convite do show. "Era Bach na forma que eu imaginava que deveria ser executado. Um dos meus filhos adolescentes disse a João: 'Quando você toca Bach, isso soa muito como jazz'. 'Não', disse Martins. 'Você quer dizer que jazz soa muito como Bach'."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Influência - Martins, que iniciou sua carreira clássica nacional aos 13 anos, e a internacional aos 18, ouvia as músicas de Dave através do piano do carioca Dick Farney (1921-1987). "Quando eu tinha uns 14 anos, morava na Avenida Santo Amaro, descia umas oito quadras para ver um pianista brasileiro de jazz fantástico chamado Dick Farney. Achava fantástico como a improvisação de um pianista de jazz tem tudo a ver com Bach e as improvisações dele no século XVIII. Nunca tive jeito para o jazz, mas admirava. E o Dick dizia para mim: 'o maior gênio na história do jazz chama-se Dave Brubeck'. E ele tocava as músicas dele para mim. Até que eu aprendi uma música dele, 'Thank You', em homenagem a Chopin."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No concerto de Anchorage, quando ficou sabendo pelo diretor do festival que a família Brubeck estava na plateia, Martins tocou duas composições suas, "Thank You" e "Blue Rondo". A primeira será tocada por Brubeck e Martins em outubro, juntos ao piano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sete notas musicais, sete pianos entre Dave e Martins&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ikwuT-qHbqw/Ssn1Aybc93I/AAAAAAAAABc/jer0ojnNORo/s1600-h/MartinsDavejuntospiano2.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 221px; height: 166px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ikwuT-qHbqw/Ssn1Aybc93I/AAAAAAAAABc/jer0ojnNORo/s320/MartinsDavejuntospiano2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389107823011231602" /&gt;&lt;/a&gt; Sete pianos colocam na linha do tempo a vida de Dave Brubeck e João Carlos Martins. Dave Warren Brubeck queria ser caubói como o pai, estudou até veterinária, mas partiu para a música, revolucionando as estruturas e os acordes do jazz com "Time Out". Quando Dave deixou o clássico "The Brubeck Quartet", em 1967, buscou ficar mais tempo em casa para criar os filhos, ensiná-los a tocar. Lá compôs cerca de 500 peças, compondo oratórios, músicas sacras, sinfonias e até música para balé. A intensa produção e o desejo de ensinar música aos filhos fizeram com que casa de Dave se transformasse num verdadeiro estúdio, contando com sete pianos, e muitas partituras espalhadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascido em 1940, João Carlos Martins teve contato com o piano após ganhar um de presente do pai, que queria animá-lo após uma cirurgia no pescoço, quando tinha seis anos. Os outros três irmãos também gostaram, e a casa também chegou a ter sete pianos. Aos 11 anos, João estudava seis horas diárias e, assim como Brubeck, criou um estilo próprio de interpretar as obras de Bach, gravando a obra completa do mestre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 20 anos, estreou no Carnegie Hall com o patrocínio de Eleanor Roosevelt. O sucesso não demorou a alçá-lo à condição de maior interprete de Bach e de ser comparado ao canadense Glenn Gould. "A primeira vez que eu o ouvi, no início dos anos 60, ele tocava como um possesso... totalmente possesso. O que eu senti ao ouvi-lo foi algo comparado ao enternecimento de uma mulher, creio, na hora do parto", conta o empresário Jay Hoffman, em entrevista ao documentário alemão sobre a vida do pianista "A paixão segundo Martins", de Irene Langmann, vencedor de quatro festivais internacional em 2004.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Chris Brubeck&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Há uma geração que acha que a música de Kenny G é jazz"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ikwuT-qHbqw/Ssn0uqYaaYI/AAAAAAAAABU/YV9XJ4PGzg8/s1600-h/chrismartinsjuntoscolorida.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 221px; height: 166px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ikwuT-qHbqw/Ssn0uqYaaYI/AAAAAAAAABU/YV9XJ4PGzg8/s320/chrismartinsjuntoscolorida.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389107511613352322" /&gt;&lt;/a&gt; Ao deixar "The Dave Brubeck Quartet" em 1967, Dave Brubeck investiu em sua carreira unindo seus filhos ao seu redor. Chris Brubeck, 57 anos, é um dos quatro filhos de Dave que abraçaram o ofício do pai, e hoje viaja pelo mundo tocando jazz com o seu "Brubeck Brothers Quartet", com seu irmão Daniel. O próprio Chris integrou o "The Dave Brubeck Quartet". Como compositor, é destacado por seus arranjos para orquestra. O contato com a música era inevitável, mesmo porque Dave compôs "Crazy Chris", música inspirada pelo nascimento do filho. Na entrevista, ele conta sobre sua experiência familiar, música e os desafios para o jazz hoje. Nos dias 13 e 15 de agosto, Chris Brubeck estará em São Paulo , apresentando-se no teatro do CIEE, no Itaim Bibi, onde tocará com a Orquestra Bachiana o seu primeiro "Concerto for Bass Trombone and Orchestra", do disco "Bach to Brubeck", gravado com a The London Symphony Orchestra. "E falando de Bach, a primeira faixa do CD traz dois famosos prelúdios de Bach com arranjos que eu fiz para orquestra", explica Chris, em entrevista por e-mail.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como seu pai te apresentou ao mundo da música?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu cresci ouvindo a música de meu pai em toda a parte da casa quando eu era criança. Em termos de "aulas" formais ele realmente não era meu professor pelo simples fato de estar em turnês a maior parte do tempo. Entretanto, eu aprendi muito com ele ouvindo seus ensaios com talentosos músicos como Paul Desmond, Joe Morello, Eugene Wright e Gerry Mulligan. Mais tarde, eu toquei com todos eles o que foi realmente algo muito gratificante. Eu também toquei baixo elétrico fretless e trombone baixo no quarteto de Dave por mais de uma década. Fazer concertos ao redor do mundo com músicos de jazz destacados é a melhor "aula" de música que você possa imaginar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como a música ajudou a manter a família Brubeck unida?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Após Dave deixar o "Quarteto Clássico", com Paul, Gene and Joe, ele formou um grupo chamado "The New Brubeck Quartet". Nos anos 70, eu e meus irmãos (Darius no teclado e Dan na bateria) tocamos com Dave em muitos lugares no mundo e foi um tremendo sucesso no famoso Festival de Jazz de Montreaux, na Suíça. Fizemos 2 LPs pela Atlantic Records - "Two Generations of Brebeck" e "Brother The Great Spirit Made Us All". Nos reunimos ocasionalmente com meu irmão mais novo, Mattew, que toca violoncelo. Esta "banda familiar" fez concertos com a Orquestra Sinfônica de Londres. Dan e eu temos um grupo chamado "The Brubeck Brothers Quartet", com Mike DeMicco na guitarra e Chuck Lamb no piano e tocamos em grandes festivais como Detroit e Newport. Às vezes, fazemos jams com o quarteto atual de Dave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quando você se decidiu em ser um músico? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quando eu tinha 5 anos. Eu queria aprender contrabaixo, o que era muito grande para mim. Eu costumava ficar embaixo do piano, próximo de onde estava guardado o contrabaixo acústico de Gene Wright e eu o tocava ali enquanto estava deitado no chão. Dave insistiu para que eu começasse com o piano, para que eu pudesse aprender como ler e escrever ambas as claves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como é fazer música clássica e jazz?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quando eu estou escrevendo uma partitura para orquestra, existem muitos detalhes para se pensar, para criar a música, o que é formidável. E é emocionante quando você escuta o resultado final com a orquestra. Quando eu faço uma apresentação de jazz é um alívio não ter nada que escrever. Os músicos podem usar suas habilidades para improvisar e criar a igualmente válida, mas diferente, música. Eu gosto de unir jazzistas e músicos clássicos. Por exemplo, no último CD do Brubeck Brothers, "Classified", nós gravamos uma música chamada "Vignettes for Nonet", com o nosso grupo de jazz e um quinteto de sopro com instrumentos de madeira. Nós também fazemos concertos com orquestras o que combina com a liberdade da improvisação com a disciplina da música clássica. Eu amo ambos os gêneros de música e cada uma fornece alívio e contraste ao outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em agosto, você se apresentará em São Paulo com a Orquestra Bachiana. É sua primeira visita ao Brasil? Qual sua expectativa para o show?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu fiz um tour pelo Brasil nos anos 70, como havia mencionado. Foi uma experiência fantástica. Eu percebi que o brasileiro é, em geral, muito mais musical do que o americano. Eu vou tocar aí meu primeiro "Concerto for Bass Trombone and Orchestra", gravado com a The London Symphony Orchestra, do disco "Bach to Brubeck". E falando de Bach, a primeira faixa traz dois famosos prelúdios de Bach com arranjos que eu fiz para orquestra. O maestro João Carlos Martins adora a forma como eu fiz o arranjo, e o tocaremos com a Orquestra Bachiana. E ele já o executou esse arranjo no Carnegie Hall, o que foi uma grande honra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual a sua opinião sobre o caminho que o jazz tomou? Wynton Marsalis, por exemplo, continua ousando e fazendo novos sons com a forma antiga de se fazer jazz. Qual é o principal desafio do jazz hoje?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu profundamente respeito aquilo que você se refere a "forma antiga de fazer jazz"... baseado na improvisação em cima das mudanças de acordes que se repetem dentro de uma estrutura. É o que Dave faz como compositor de jazz e o que a maioria dos meus amigos músicos tem feito: improvisar bem em cima de acordes. Aliás, é o que Bach fazia. Ás vezes, eu fico cansado em repetir as estruturas e gosto de experimentar novas formas, na maioria das vezes, por meio da música clássica. Até em temas tradicionais há recapitulações. É parte da criatividade que o compositor utiliza para fazer a melhor arquitetura para conquistar os ouvintes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Esse é o grande desafio do jazz?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O grande desafio do jazz, ao menos na América, é manter os admiradores que apreciam o que os músicos e compositores estão fazendo. Jazz é um "guarda-chuva" que cabe muita coisa e agora há uma geração que acha que a música de Kenny G é jazz. Esse gênero é o que mais vende. No meu caso, eu tenho esperança em tocar para pessoas que apreciem música clássica e jazz movidas por minha experiência única como músico, compositor e ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dave Brubeck&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"É incrível que 'Time Out' sobreviveu ao teste do tempo"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ikwuT-qHbqw/Ssn7NUI1n9I/AAAAAAAAABk/aU0PpYoz9-I/s1600-h/Time_out_album_cover1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 301px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ikwuT-qHbqw/Ssn7NUI1n9I/AAAAAAAAABk/aU0PpYoz9-I/s320/Time_out_album_cover1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389114635288158162" /&gt;&lt;/a&gt; Há 50 anos, influenciado pelo compositor francês clássico moderno Darius Milhaud, o pianista americano Dave Brubeck revolucionou o mundo do jazz com o álbum "Time Out", do qual se destacou "Take Five", um dos clássicos da música do século 20, que ainda hoje causa arrepios a todos os amantes do jazz ou aspirantes a músico tão logo tem início o inebriante solo do saxofonista Paul Desmond. Brubeck desenvolveu uma técnica inovadora que aliava o contraponto (técnica de condução da linha melódica) ao poliritimismo e com isso entrou para a história da música, ampliando seu talento posteriormente não apenas no jazz como também na criação de oratórios e até música para balé. Em entrevista por e-mail, de sua casa em Connecticut (EUA), Brubeck fala de sua vida, de seus projetos, do prazer que, aos 88 anos, lhe proporciona a música e, principalmente de seu legado às futuras gerações. "Tenho muito orgulho das muitas "portas" que se abriram", afirma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Agora que o mundo da música celebra o aniversário dos 50 anos de "Time Out", gostaria de saber sua principal influência ao fazer este álbum. A música clássica é uma das principais chaves para se entender a revolução que o senhor fez com o compasso e o ritmo do jazz?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É incrível que "Time Out" sobreviveu ao teste do tempo. Quando eu tentei pela primeira vez encontrar uma gravadora interessada em gravar meu grupo, todos disseram que não estavam interessados. Eu tive que começar a Fantasy Records para divulgar minha música. Depois, eu perdi o controle da gravadora para meus "parceiros", mas terminei na Columbia Records. "Time Out" quebrou todas as regras. Havia somente composições originais, o que foi altamente desencorajado pela Columbia. Além disso, as composições eram todas em estranhos compassos. Não havia uma garota bonita na capa, nós queríamos arte moderna. O departamento de marketing não queria o LP, e sentou em cima dele por um ano e meio. O presidente da Columbia, (naquele tempo eles eram pessoas com inclinações para a música, não advogados e puros homens de negócio), achou que a gravação tinha um som e um estilo especial e, seguido pelos seus instintos musicais, usou o seu poder para ignorar o departamento de marketing. O resto é história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quando o senhor começou a estudar música, quase foi expulso da Faculdade porque descobriram que não sabia ler partitura. Como superou isso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Curiosamente eu superei meus problemas com a leitura de música escrevendo incansavelmente. Quando eu era criança, eu tive alguma forma de dislexia, na qual meu cérebro não processava facilmente o que meus olhos estavam vendo na partitura. Mas meus ouvidos eram tão bons que eu podia "colar" em todos os exames. Quando meu problema foi descoberto no exame final da Universidade, a escola ficou dividida entre os que queriam me reprovar, e os que gostariam de me aprovar. Alguns professores disseram que eu era o melhor estudante que eles já tiveram, 'não podemos reprovar aquele rapaz'. Finalmente uma promessa foi feita, eles me deixaram me formar se eu prometesse nunca dar aulas, em lugar algum. E isso deu certo. Agora, a mesma universidade é o lar do Brubeck Institute, na Universidade do Pacífico em Stockton, Califórnia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E a música clássica?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Meu interesse em música clássica começou com a minha mãe, que era também uma pianista clássica. Aliás, meu pai era um caubói, e eu cresci como um caubói que também aprendeu piano com a mãe. Ela ensinou piano para todas as crianças em nossa pequena cidade do norte da Califórnia. Após a Segunda Guerra Mundial, eu estudei com o compositor francês Darius Milhaud. Ele me disse que o futuro da música clássica americana era incorporar o jazz ao mundo orquestral. Ele me alertou para não imitar a tradição europeia. Jazz era realmente uma original e peculiar forma de arte americana. Ele foi o meu mentor sob diversos aspectos e eu segui o seu conselho à medida em que escrevia mais e mais música clássica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como foi o seu relacionamento com outros mestres do jazz com os quais o senhor conviveu, como Duke Ellington, Louis Armstrong e Paul Desmond. É verdade que, quando a revista "Time" optou pelo senhor a Duke Ellington em sua capa em 1954, o senhor teria dito a Duke que ele é que merecia o espaço?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Duke Ellington (1899-1974) foi o meu herói na música. Você podia ouvir em sua música que ele era um compositor a frente do seu tempo, que estava constantemente expandindo o vocabulário do jazz e as estruturas tradicionais do jazz. Nossa banda fez um tour junto com Duke, e ele me mostrou que eu estava na capa da "Time Magazine". Deveria ter sido ele, que era já um grande mestre, enquanto eu era um músico novo que estava justamente começando a deixar minha marca no cenário nacional do jazz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E sobre Armstrong?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Louis Armstrong (1901-1971) foi outra lenda internacional. Minha mulher Iola, que é uma grande letrista, e eu escrevemos um musical para ele chamado "The Real Ambassadors". Nós o gravamos com a Columbia Records juntamente com a banda de Louis. O objetivo era fazer uma turnê ao redor do mundo. Foi apresentado apenas uma vez, no The Monterey Jazz Festival. Muitos continuam considerando uma das apresentações mais importantes que já se viu naquele grande festival. Mas foi considerada muito controversa para a Broadway.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Apesar das desavenças iniciais com Paul Desmond, o que o ligava a ele?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Paul Desmond e eu tínhamos uma química musical muito especial que nunca será repetida. Ele era como o tio de meus filhos, e nós nos preocupávamos realmente um com o outro. Eu era "homem de família", enquanto Paul era um solteiro incorrigível. Nossos modos de vida eram completamente diferentes. Mas a nossa proximidade musical nos manteve juntos. Ele entendeu meu objetivo de improvisar por meio de contrapontos (uma ideia mais da música clássica) o que foi um elemento que eu gostaria que fosse característico do meu estilo de jazz. Ele tinha um lirismo belíssimo quando tocava. Eu acho que foi o guitarrista Jim Hall que disse: "Paul é o único cara que consegue improvisar uma melodia num acorde que é ainda mais bela que a melodia original." Ele era um músico único.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No site de seu instituto, o senhor afirma que gostaria de ser lembrado como "aquele que abriu as portas". O Instituto, claro, foi uma forma, ao incentivar o estudo da música. O senhor também abriu portas para o jazz e a música clássica. É ainda a forma como o senhor gostaria de ser lembrado? &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quando eu olho para a minha carreira eu tenho muito orgulho das muitas "portas" que se abriram. Foi ideia da minha mulher em promover concertos em universidades, acredite ou não, isso não havia sido feito antes. Muitas pessoas sabem que meu grupo foi o primeiro a tocar compassos inusuais como 5/4, 9/8, 7/4, etc. Meu grupo percebeu os desafios quando integramos Eugene Wright como baixista. Ele é afro-americano e nós tivemos que nos levantar contra essa forma limitada de pensamento nos Estados Unidos. O tour do nosso Departamento de Estado abriu também meus ouvidos a sons de culturas musicais totalmente diferentes, e eu incorporei a música e os elementos rítmicos na minha música. Minha colaboração com meu irmão Howard (que foi um grande compositor e arranjador) com Leonard Berstein e a Filarmônica de Nova York foi uma nova "porta" pela qual os músicos de jazz puderam passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como o senhor consegue manter uma agenda repleta de shows, prestes a completar 89 anos? O que o leva a tocar todo dia, com o mesmo vigor de quando começou sua carreira?&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;Felizmente, as pessoas continuam querendo me ouvir tocar minhas músicas. Eu tenho muita sorte em ter esses fãs que apreciam o meu grupo. Tocar me dá grande alegria e faz me sentir mais jovem. Diferente das viagens para realizar concertos, que me fazem sentir a minha verdadeira idade. Minha família está a todo momento me dizendo para reduzir a quantidade de concertos por ano, e cortar as viagens de longa distância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No dia 2 de outubro, você será regido em Nova York pelo brasileiro João Carlos Martins, com a Orquestra Bachiana. O que significa para você esse concerto?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu conheci João Carlos Martins no Alasca num festival de música. Eu já o havia visto na televisão quando jovem e ouvi alguns de suas gravações fantásticas. Ele me honrou ao tocar "Blue Rondo a la Turk" durante seu concerto. É um sonho maravilhoso trabalharmos juntos em Nova York no próximo outono agora que ele se fez um habilidoso maestro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Nada faz um pai se sentir tão orgulhoso quanto tocar com seus filhos"&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ikwuT-qHbqw/Ssn0Lu6dKZI/AAAAAAAAABM/0g8H2IYy1zg/s1600-h/revista+time.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 126px; height: 166px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ikwuT-qHbqw/Ssn0Lu6dKZI/AAAAAAAAABM/0g8H2IYy1zg/s320/revista+time.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389106911534459282" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O trote do cavalo marcando o compasso, o vento de encontro ao rosto. E, contrapondo-se ao movimento, o som. O que para alguns isso é simplesmente cavalgar, para outros, é inspiração musical. Foi essa sensação rítmica que levou Dave Brubeck a se aventurar no jazz, ao criar contrapontos aos sons da fazenda onde vivia, e na qual gostaria de ser caubói. Hoje, aos 88 anos, orgulha-se de ter não apenas criado há cinco décadas "Time Out", o disco de jazz que vendeu mais de um milhão de cópias, mas também por ter sido aquilo que hoje é exatamente como ele deseja ser lembrado: o "cara que abriu as portas", ao fundir jazz com música clássica e por conseguir levar seus filhos pelo mesmo caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na realidade, os celebrados 50 anos não marcam exatamente a data de lançamento do disco. As sete músicas do álbum foram gravadas de 25 de junho a 18 de agosto de 1959, mas o que praticamente se tornaria uma obra de arte e um sucesso de público, pareceu "nada comercial" à Columbia, que estranhava tanto as músicas como a capa do artista Neil Fujita, e só o lançou em 1960.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estranhamento também se deu em parte do público e entre alguns músicos à época por fatores que então contaminavam a sociedade americana. Primeiro porque Dave, o sax alto Paul Desmond e o baterista Joe Morello eram brancos e o contrabaixista Eugene Wright, negro. O racismo ainda era uma barreira forte naquela época. Ao ponto de, em seu livro de memórias, o presidente americano Barack Obama ligar Brubeck às últimas recordações do pai. "Ele me entregou uma bola de basquetebol e alguns discos de músicas africanas, que dançamos juntos, e me levou para assistir a um concerto de Dave Brubeck. Depois disso, nunca mais vi meu pai."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brubeck deixou de tocar em vários clubes e universidades que se recusavam a deixar Eugene subir ao palco. Em contrapartida, o mesmo sofreu o "branquelo" Bill Evans quando entrou para a banda do trompetista Miles Davis, que também experimentava novos acordes e compassos no jazz em seu "Kind of Blue", lançado em agosto de 1959. Além de branco, Evans havia substituído Red Garland, o que provocou protestos do público negro, lembra o jornalista Ruy Castro, em sua obra "Tempestade de Ritmos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até Miles criticava Brubeck. Segundo Dave, o trompetista lhe disse que ele até tinha swing, mas a sua banda não. O mesmo diriam alguns críticos, que rotularam sua música como "West Cost Jazz", o que virou uma sinônimo de música de "brancos". "Eu me preocuparia se Duke Ellington não gostasse", diz Brubeck em documentário gravado pela TV Educativa da Carolina do Sul, em 2001. Duke, aliás, perdeu para Brubeck a competição pela capa da "Time" em 1954, o que deixou o protagonista com um misto de alegria e tristeza. Duke pode ter feito como quando perguntado sobre o que fazia ao não poder entrar em um hotel pela cor da sua pele. "Eu reunia as forças necessárias para franzir a testa, e escrevia um blues", dizia segundo o documentário "A História do Jazz", de Ken Burns. Mas, no ano seguinte, Dave fez uma música para o amigo, "The Duke".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora do tempo - As músicas do cinquentão "Time Out" soavam tão estranhas à época porque Dave é apaixonado também por música clássica, de onde ele trouxe para o jazz o compasso composto, o poliritimismo. Ele tirou o blues de seus 12 compassos e igualmente até então imutável tempo 4/4 ou 3/4, e a politonalidade, tocando acordes que fazem contrapontos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua mãe era professora de piano, dava aulas o dia inteiro e, após o jantar, ainda praticava. Apesar de ouvir as músicas que ela tocava, e também aprender a tocar, ele sonhava mesmo em ser como o pai, fazendeiro. Mas a mãe lhe ensinou a pensar em música mesmo em cima do cavalo, ouvindo o som da fazenda, o que ele encarava como um passa tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, ao desistir de faculdade de veterinária no segundo ano, Dave entrou para a faculdade de música, saindo de lá apenas sob o juramento de nunca lecionar. Ele podia escrever as notas musicais, mas não conseguia lê-las. "Deve ter sido o maior bloqueio mental de todos os tempos", dizia Dave. Nem o saxofonista Desmond, que conhecera Brubeck num octeto formado após sua graduação, conseguia entender o que saia daquele piano. Ele chegou a deixar a banda, levando Brubeck a ter que vender sanduíches em escritórios. Eles só voltam a se ver quando, após machucar o pescoço nas praias do mesmo Havaí onde tocou para Obama. Brubeck perdeu o emprego na outra banda que reunira, e convidou Desmond a se encontrarem novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ritmo - Assim, surge o "The Dave Brubeck Quartet", criado em 1951, que só recebeu Morello na bateria em 1956 e, com ele, Dave conseguiu o ritmo que tanto buscava, apesar de Desmond pedir a saída do baterista logo no início. "Nos bastidores, Joe Morello tocava (e faz o som da batida da bateria). Lá tinha o 1, 2, 3, e 4 e 5. E Paul tocou um contraponto. E eu disse que queria essa melodia no álbum porque estava no compasso 5/4", diz Brubeck, também na entrevista à TV americana. Assim nascia "Take Five". Outra composição que mostrava que Brubeck não desprezava o tempo, apenas o dominava a ponto de se colocar fora dele, é a música "Blue Rondo a la Turk", em 9/8, cujo ritmo Brubeck buscou na Turquia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu o ouvi pela primeira vez aos 22 anos, e achei também estranho, porque ele era diferente do Charlie Parker, do Miles e do Coltrane. Ele não usava as inovações do bebop. Ele pegou do classicismo europeu e pôs swing, 'Thref To Get Ready', por exemplo, me faz lembrar Joseh Haydn", conta o pianista brasileiro Marcos Borelli, 43 anos, que reuniu músicos para tocar a obra de Brubeck em casas de espetáculo de São Paulo. Em seu último CD "Idàrúdapó", as duas primeiras faixas "Choro" e "Playground" carregam influências do pianista americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Cozinha' familiar - Essa foi a "cozinha" que temperou o jazz de Brubeck. No jargão musical, a bateria e o baixo, e em alguns momentos o piano, fazem a "cozinha" para os solistas. São desses instrumentos que emergem a base dos acordes, as variações das quatro principais das sete notas musicais, e o ritmo. Outros discos com experimentos com tempos atípicos dos jazz se seguiram até 1967, quando Dave deixou a banda para ficar mais tempo em casa em Wilton, Connecticut (EUA), para criar os filhos ao redor da música, compondo oratórios, músicas sacras e sinfonias. "Nada faz um pai se sentir tão orgulhoso quanto tocar com seus filhos e ver o público ficar de pé e ir à loucura", diz Dave Brubeck.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A intensa produção e o desejo de ensinar música aos filhos fizeram com que sua casa se transformasse na "cozinha" da qual o velho Dave mais se orgulha. Quatro dos seus seis filhos são músicos e, destes, três também são compositores, que já na década de 70 fazia turnês. A família Brubeck manteve-se unida, até hoje, por meio da música. Já que ele não parava mesmo em casa, porque não todos tocarem juntos? "Algumas famílias vão pescar... e nós tocávamos em concertos em todo os Estados Unidos, Europa, Austrália e até no Brasil", diz o filho Chris.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34312315-3688327291194024738?l=rogermarzochi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/feeds/3688327291194024738/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34312315&amp;postID=3688327291194024738' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/3688327291194024738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/3688327291194024738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/2009/10/em-homenagem-fusao-do-jazz-e-da-musica.html' title='Em homenagem ao jazz e à música erudita'/><author><name>Roger</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17203552484862162917</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ikwuT-qHbqw/SsnwbfhwpRI/AAAAAAAAABE/Swys2pv6PZA/s72-c/chrisMartinsDavejuntospiano.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34312315.post-2304249427749915125</id><published>2009-09-08T10:59:00.000-07:00</published><updated>2009-09-08T11:05:27.668-07:00</updated><title type='text'>A linha de pescar que trouxe à tona uma babá-cantora</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Roger Marzochi&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira vez em que tentou tocar um instrumento, entusiasmada pelos cantos que afloravam pelo Nordeste, o resultado não foi lá um sucesso. Seu vizinho improvisou um violão com o que tinha: uma lata grande de goiabada cortada ao meio para amplificar o som das vibrações de linhas de anzóis, buscando pescar a melodia que fosse possível ao seu dedilhar ao longo do braço de mandacaru. Esperou ele sair para a roça, em Ipueiras, no Ceará, e correu para a casa dele. Pegou o tal instrumento, colocou-o nos braços, e num escorregar de dedos, quebrou uma das linhas de pesca, como um peixe bravo. A caixa de ressonância lhe veio à cabeça literalmente quando, irritado, o vizinho descobriu a ousadia. "É, e o sangue escorreu, viu", relembra Maria Lindalva Bezerra, 39 anos, a Lindinha Poeta, que já foi copeira, faxineira e, agora, é babá e cantora há um ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ferida cicatrizou, mas ela manteve firme a idéia de fazer música, não importa o que fizesse para sobreviver. E hoje, além de a música que criou ter ajudado a conquistar o emprego de babá, seu som ganha espaço nas pequenas rádios de sua terra natal, onde também realizará 12 shows em setembro, agora em suas férias. "Vou cantar em bar, em boate e até em casa da luz vermelha”, brinca a babá, enquanto cuida de um menino em uma praça na Vila Madalena, em São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas eu faço (música) pelo amor à cultura e por hobby. Eu acho que todos nós temos que pensar positivo também. Eu tenho sim um sonho, de um dia ganhar algum dinheiro. Meu sonho é no povoado onde eu nasci, onde eu não pude ter o que tenho hoje, e fazer um pequeno estúdio para dar aula para as crianças, passar o que eu aprendi. É esse o meu sonho", afirma a cearense, que desde 1986 está morando em São Paulo, onde criou seus quatro filhos e decidiu apostar em seus versos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com 16 anos, fazendo faxina em empresas à noite, conheceu o marido, com quem teve duas filhas e dois filhos. Quando a primeira completou dez anos, Lindinha a preparou para cuidar dos irmãos à noite para que pudesse completar o ensino médio em uma escola cujo nome prenunciava o seu destino: Escola Estadual Maestro Fabiano Lozano, em homenagem ao músico e instrumentista, morto em 65, considerado um grande pedagogo vocal do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas aulas de literatura e de teatro, Lindinha criou coragem para escrever o primeiro poema, chamado "Umbigo e flor". "Tem o rei / tem a rainha / tem o sol e tem a lua / Tem um zangão / tem uma abelinha / um canário e a colerinha / Eu sou o umbigo / Você é uma linda flor / Eu sou o carinho / Você é o amor / Eu sou o jardim, e você, o beija-flor", cantarola. "Eu canto sertanejo e baião. Mas com as letras dá para fazer até um funk. Mas não quero fazer isso com elas não", brinca ela, que já tem 26 músicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda foi inspirada na música "Paratodos", de Chico Buarque. "Li um trecho dessa música num livro de português e desafiei a professora. Disse que faria uma música melhor, em 30 minutos", sorri Lindinha, levando a imaginação para a letra de "Meu avô é francês".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda ela, o gosto pela leitura, que a fez devorar livros do Jorge Amado, Clarice Lispector, Adélia Prado e Augusto dos Anjos também a ajudou nas letras. E, principalmente, uma disciplina em especial: teatro. "A Patrícia Teixeira, professora de teatro da escola, também me ajudou muito com seminários, trabalhando teatro e música. Foi muito bom e fui gostando daquilo e, agora, estou doente por música. Eu não vivo sem cantar, tentar passar o que tem de melhor para as pessoas. Ter mais paz." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os estudos continuaram depois da escola, agora com a cantora Cris Mursa, que a ajuda a fazer arranjos. "Cris Mursa é minha professora de música, de violão e até de ginástica. E é minha terapeuta! Como não tenho muito tempo, e ela é muito profissional, faço tudo com ela."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suas cantorias na copa de uma representação de uma empresa estrangeira no Itaim atraíram a simpatia da diretora, que lhe convidou para ser babá de seu filho, que também adora música. Como a patroa viaja constantemente e o pequeno fica na casa dos avós, Lindinha tem um tempo sempre para visitar a mãe, que mora agora em Crateús, e aproveita para apresentar suas músicas e buscar apoio das rádios locais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua música já circulou na região pela na rádio Santa Fé, de Cratéus, Rádios Macambira e Rádio Vox, de Ipueiras. "Já foi até um dinheirinho prá minha mãe por causa disso.” Mas e o sucesso? A fama? Ela afirma que não quer isso não. Mas na letra de uma de suas últimas músicas, que foi inspirada após ter conseguido a façanha de capturar vivo com as próprias mãos um sabiá e mostrá-lo à criança que cuida, Lindinha transparece o dilema que há entre o sonho e a realidade. "Eta vida bem difícil / É essa vida de babá / Ela tem uma decisão / Que ela vai ter que tomar / Entre a alegria de uma criança / E a liberdade de um sabiá."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, vai levando a vida, estudando mais para tocar violão e cantar melhor, e colocando aos poucos seus trabalhos no Youtube, como no caso das músicas "Vaqueiro Valente" (http://www.youtube.com/watch?v=0InoERtMGlM) e “Sonhei Com Você”(http://www.youtube.com/watch?v=_kc3zr4UkXw&amp;feature=related).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34312315-2304249427749915125?l=rogermarzochi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/feeds/2304249427749915125/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34312315&amp;postID=2304249427749915125' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/2304249427749915125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/2304249427749915125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/2009/09/linha-de-pescar-que-trouxe-tona-uma.html' title='A linha de pescar que trouxe à tona uma babá-cantora'/><author><name>Roger</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17203552484862162917</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34312315.post-8009778753092630891</id><published>2009-06-11T07:59:00.000-07:00</published><updated>2009-06-11T08:04:06.798-07:00</updated><title type='text'>Quando a sonda fura o relicário</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ikwuT-qHbqw/SjEcVnJPVpI/AAAAAAAAAA8/jiuX-t7Y8Xc/s1600-h/santos.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 392px; height: 257px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ikwuT-qHbqw/SjEcVnJPVpI/AAAAAAAAAA8/jiuX-t7Y8Xc/s400/santos.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5346085390276056722" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Petrobras se excedeu e está sendo castigada pela interferência dos santos. Mas se todo pecado gera um perdão, a correção do caminho se pode dar até pelo o que é, por enquanto, reconhecido como o “mal”. Ao criar o blog "Fatos e Dados", a companhia argumenta que estaria contribuindo com a democracia, por avaliar que a divulgação das respostas dos questionamentos da imprensa no blog, antes mesmo de serem publicadas em forma de matéria pelos veículos de comunicação, seria um exemplo de transparência e não estaria ferindo o sigilo da fonte. Após a pressão, a empresa decidiu publicar as perguntas e respostas da imprensa à meia noite do dia em que a matéria está programada para ser veiculada, o que não chega a ser um sinal que a companhia recuou totalmente na sua queda de braço com a imprensa. Apesar de controverso, tudo indica que a atitude tem respaldo legal, e poderia ainda argumentar que, apesar do princípio da inviolabilidade das comunicações, uma pessoa pode até gravar uma conversa sem que seu interlocutor saiba. O ilegal ocorre quando a conversa é gravada por uma terceira  pessoa, sem autorização da Justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tendência de serem as companhias, cada vez mais, seus próprios veículos de comunicação e de os blogs serem veículos de uma mídia alternativa ascendente, não justifica o fato de a Petrobras "furar" seus concorrentes da antiga banca. Primeiro porque a democracia pressupõe a igualdade de oportunidades e, levando às devidas proporções, o número de assessores de imprensa deveria crescer exponencialmente para atender à demanda dessa nova era da comunicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque veículos de comunicação seriam mais importantes que qualquer outra pessoa física? Não ficou claro ainda se, por exemplo, o padre Constantino, lá da igreja de Santo Antônio, em Americana, pode enviar para a assessoria de imprensa da Petrobras uma lista com 7 perguntas sobre os pecados capitais do petróleo no Brasil. Por que não poderia? Ele pode usar as respostas para escrever um artigo nos jornais da cidade, um texto para um blog ou mesmo imprimir nos panfletos da próxima Campanha da Fraternidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo porque o argumento de dar mais transparência contrasta completamente com uma companhia que, por motivos estratégicos, mantinha até 2007 uma a conta-petróleo, no qual o Tesouro arcava com as subvenções no preço dos combustíveis. Mesmo com o fim da conta, a estatal é ainda considerada uma “caixa-preta” até mesmo para os integrantes do governo e o preço dos combustíveis continua alheio aos movimentos da commodity no mercado internacional. Além disso, se a Petrobras é "nossa", porque não informar quanto gastou para contratar uma assessoria de comunicação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A decisão, portanto, está longe de contribuir, por si só, com a democracia. A ideia foi fisgada por um profissional que gerencia crises de imagem no sentido de nivelar a comunicação e mesmo intimidar em decorrência da alta temperatura eleitoral de ambos os lados, oposição e situação. A questão básica é que a decisão gerou mais crise e acirrou a pressão por investigação, colocando mais combustível no debate. Mas, mesmo partindo de uma ação com objetivos muito questionáveis, a decisão é um marco para a comunicação no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mídia tradicional já está em processo de deixar o foco excessivo no furo factual para sobreviver à internet, e o blog da Petrobras pode acelerar esse processo ao incentivar que outras empresas tenham atitudes parecidas. Mas, com o tempo, ficará provado que a simples divulgação de questões e respostas deste ou daquele profissional, por si só, deixará de ser importante. O que conta é aquilo que o repórter já obteve sem a ajuda da companhia. Qualquer outro repórter que não souber contrapor os dados, e os fatos, terá uma ação razoavelmente limitada se tentar usar o blog da companhia como fonte. Até o conceito de questionar, em toda matéria, "o outro lado", pode ganhar nova forma com a web. O repórter pode escrever um texto sobre a companhia e avisar: "'&lt;a href="http://petrobrasfatosedados.wordpress.com"&gt;clique aqui&lt;/a&gt;' para ler em instantes a resposta da Petrobras às acusações." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, a madeira do relicário da comunicação foi furada pela sonda da Petrobras, e está gotejando a cera das velas acesas até agora a Santo Isidoro, o eleito padroeiro da internet, sob a cabeça de São Francisco de Sales, o Chico Sales (padroeiro dos comunicadores), que não deixará isso ocorrer indefinidamente. Não é porque Isidoro escreveu a primeira enciclopédia do mundo que a web pode ser considerada apenas como uma imensa wikipédia, um compêndio de "fatos" e "dados". Ela é, também, o canal de expressão daqueles orientados pelo Chico. Em uma filipeta, presente que levo há 12 anos na carteira, a imagem do patrono dos escritores e jornalistas vem acompanhada da seguinte frase: "O jornal é um instrumento indiferente para o bem e para o mal; lutemos, pois, para que ele siga o bom caminho." A palavra jornal pode ser substituída por rádio, TV, internet, ebook, iPod, Orkut, Facebook, computador e celular. E quem decidirá para que santo rezar será o leitor e internauta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34312315-8009778753092630891?l=rogermarzochi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/feeds/8009778753092630891/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34312315&amp;postID=8009778753092630891' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/8009778753092630891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/8009778753092630891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/2009/06/quando-sonda-fura-o-relicario.html' title='Quando a sonda fura o relicário'/><author><name>Roger</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17203552484862162917</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ikwuT-qHbqw/SjEcVnJPVpI/AAAAAAAAAA8/jiuX-t7Y8Xc/s72-c/santos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34312315.post-2378780827762854054</id><published>2008-12-09T17:38:00.000-08:00</published><updated>2008-12-09T17:42:56.336-08:00</updated><title type='text'>Ser útil ou ser mais que útil?</title><content type='html'>Roger Marzochi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria de nós passa a maior parte do tempo buscando ser útil. Queremos mostrar que existimos. E o existir muda de significado à medida que mudamos de fases. Para existir como filho é preciso se sentir reconhecido pela família, sendo bom na escola, com os amigos e com os membros da família. O contrário se dá pelo mesmo motivo, afinal a negação não existiria sem um motivo a ser contestado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No trabalho queremos também existir e, para isso, é preciso não faltar e até se sentir culpado caso se ausente por causa de alguma doença. É chegar sempre na hora certa e fazer hora extra. Existir na empresa significa “funcionar”. E, para funcionar, é preciso ser igual a uma máquina, cujos problemas são encarados como mal funcionamento, como uma peça, que pode ser trocada para funcionar melhor e mais barato. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser útil é sinônimo de adequação a um estilo de produção e à velocidade inerente a esse serviço. Quantas operações por minuto faziam os paquidérmicos computadores à válvula, que preenchiam salas imensas? Hoje, qualquer chaveiro, desses “pen drive”, carrega uma quantidade absurda de informação e, colocado a qualquer computador, dá acesso a uma série de dados que eram impossíveis de serem armazenados e processados antigamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece haver alguma semelhança com o que ocorre no mercado de trabalho. Antes, uma fábrica tinha um maior número de funcionários, cada um fazendo um determinado serviço. Com o avanço da tecnologia nos meios de produção, funções foram extintas ou acumuladas pelos trabalhadores que restaram. A máquina homem, como na passagem da memória do computador à válvula para o pen drive, também vem reduzindo de volume e processando mais informação. E não adianta argumentar que o setor de serviços tem absorvido essa mão-de-obra, a menos que se considere camelôs e cambistas membros desse setor-salva-vidas do empreendedorismo brasiguaio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como em tempo de globalização, de "fusões e aquisições", e de sindicatos vazios de propósitos, mas com os "borná" cheios de dinheiro, a única saída para quem fica é buscar ser, mas do que nunca, mais que útil. Nada de conceitos de administração de empresas, de palestras motivacionais com o Amyr Klink, Alan Greespan ou de gurus do "marketing viral" de uma empresa cujo símbolo é o Herb Way Of Life. Nada de mergulhar cada vez mais na idéia de utilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser mais que útil é o único foco de resistência que restou, transcendendo o que se considera útil. Para ser mais que útil é preciso reconhecer que os problemas que emperram as engrenagens não devem ser apenas consertados para manter a máquina em ordem. É preciso saber que o problema é o que nos constitui, o que não significa se acomodar e aceitar, mas encará-lo para que não tenha que viver repetindo-o indefinidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por todas as nossas fases surgiram possíveis “defeitos” nas engrenagens culturais. A nossa reação a eles, no sentido meramente “mecânico”, de saltá-lo sem defrontar a sua dor ou a sua felicidade por causa do medo é o que define o “ser útil” do “ser mais que útil”. Ser mais que útil é ser belo, e a beleza é essa sensação da poesia de nossas contrariedades, de se surpreender com a expressão do acaso, de entender que você não precisa viver trocando “problemas”, mas buscando a beleza que há no problema da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, especialmente, ler poesia. Até porque a poesia transgride. É estudar música, até porque a beleza está na escolha de notas soantes e dissonantes. Buscar poesia, psicologia, acupuntura, massoterapia, teatro, literatura, música, jogo de búzios e cartomante apenas para ser útil é um imenso desperdício. É como o massagista em dia de jogo, que tem que fazer o jogador voltar a campo para vencer. Aquilo que é belo não se ganha, não se vence. Ele se expressa ao ponto da sua compreensão. Para quem quer apenas vencer, ser útil basta. Aliás, para alguns, já é muito. Como chegar no horário com esse trânsito infernal? Como produzir mais com menos e mais rápido, com “problemas” zero? Mas quem quer ser mais do que útil sabe que, em alguns momentos, perder é ganhar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34312315-2378780827762854054?l=rogermarzochi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/feeds/2378780827762854054/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34312315&amp;postID=2378780827762854054' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/2378780827762854054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/2378780827762854054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/2008/12/ser-til-ou-ser-mais-que-til.html' title='Ser útil ou ser mais que útil?'/><author><name>Roger</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17203552484862162917</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34312315.post-2524179455956867830</id><published>2008-05-28T05:52:00.000-07:00</published><updated>2008-05-28T06:01:59.152-07:00</updated><title type='text'>A santíssima trindade</title><content type='html'>Cruzei a Paulista pela Joaquim Eugênio de Lima. 23h40. Entre as nuvens baixas, ainda conseguia ver a lua ao fundo da névoa escura, que havia se esvaído em uma forte chuva.  A caminho da “Prainha”, como é conhecida a esquina repleta de bares com mesas na calçada, na diagonal do prédio da Gazeta, eu revi a minha vida em flashes, no mesmo ritmo das imagens das placas de publicidade luminosa que ora preenchia o céu da Paulista, e já não poluem mais a cidade. Lembrei de quando conheci a avenida pela primeira vez, aos 16 anos, quando visitei uma tia. Recordava da sensação de seguir por ruas que me pareciam muito mais amplas à época, para além da comparação com as ruas de Americana, minha cidade. A sensação de ver o Masp, como que flutuando entre suas colunas, e muitas e muitas outras ruas, que não constavam no meu mapa de orientação espacial mental, prometiam-me o inesperado. Quanta coisa eu vivi em 34 anos. Pouco, ou muito, não importa medir isso em tempo, mas em intensidade. Quanto esforço, e quantos sonhos foram conquistados para depois dar espaço para novos sonhos, ou para a vaga traiçoeira dos desencantos. E, naquele momento, meus olhos choveram carregados por um amor que eu mal podia imaginar que um dia me seria permitido. Eu estava, definitivamente, caminhando sozinho até um bar para comemorar a vinda de Vinícius, meu filho cujo nascimento eu acabara de assistir. Já com um copo na mão, explodindo de alegria e encanto, buscando explicações para o inefável, relembrava minha vida toda e agradecia todos os que cruzaram meu caminho até aquele momento e que, direta ou indiretamente, consciente ou inconscientemente, ajudaram-me a alcançar o que considero o ápice da felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E contraditoriamente, justo alí, na mesma “Prainha”, eu havia tido o primeiro contato com a loucura explícita de São Paulo, quando comecei a morar aqui, em 1997. Um rapaz fazia pirofagia nessa mesma esquina, num sábado à tarde, para impressionar os clientes dos bares da distinta “Prainha”. Ignorando o trânsito, colocou-se no meio da rua para sua apresentação. Mas enquanto cuspia fogo, um ônibus teve que frear bruscamente para não atropelar o nosso “boitatá” do asfalto. Talvez pelo susto, pelo fogo, ou um conjunto de salário baixo, irritação e embrutecimento, o motorista desceu do coletivo e, sem pestanejar, golpeou uma, duas, três, quatro vezes as narinas fumegantes do pobre homem, que foi à lona quadriculada da calçada. Vitorioso na luta, o motorista seguiu viagem, como um bandeirante que abre espaço na mata rumo ao desenvolvimento. Mas o pirofagista se ergueu, nariz em sangue, e resignado foi até os clientes dos bares pedir dinheiro. O espetáculo tem que continuar.&lt;br /&gt;Agradeci no mesmo instante o pirofagista, cuja ousadia me fez sintetizar a minha experiência em São Paulo, e na vida. Muitas vezes o jornalismo, profissão na qual mergulhei durante o processo de impeachment de Fernando Collor, é similar ao trabalho (ou a falta de trabalho) de nosso amigo circense. Precisa parar o trânsito, arriscar os lábios e o corpo no fogo, ir à lona por subverter o que é considerado ordem “natural” das coisas e se reerguer para sobreviver na sua arte, com ou sem ousadia, mas sobreviver. Da mesma forma, é preciso amar e se doar quantas vezes for necessário apesar do risco de ser nocauteado pelas circunstâncias.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu já havia sido derrubado uma porção de vezes! E estava, então, ganhando um prêmio inacreditável em todas as esferas da vida, que me encheu de orgulho, de carinho e de sensação de realização plena. Entre estourar a bolsa e o nascimento do bebê a adrenalina era tão grande que só me permitia agir e rezar. Agora, olhando minha esposa Adriana Costa, ainda não dá para acreditar que conquistamos um momento como esse. Ao chegar até a mesa dela, num bar de Americana naquele 21 de abril de 2004, eu estava leve apesar dos quase 100 quilos, querendo me permitir a amar novamente. E trocando sorrisos, olhares  e conversa, senti que sem querer estava diante de uma mulher muito especial. E veio a amizade, o amor, o namoro e, agora, o Vinícius, que me surpreende a cada dia, a cada fase da sua experiência. Ser pai ampliou minha percepção enquanto filho de vários pais, unificou minha consciência de família, para que eu possa dar à paternidade o seu exato sentido naquilo que considero a essência da santíssima trindade: pai, filho e o espírito santo daquela que deu sentido ao roteiro de nossas vidas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34312315-2524179455956867830?l=rogermarzochi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/feeds/2524179455956867830/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34312315&amp;postID=2524179455956867830' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/2524179455956867830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/2524179455956867830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/2008/05/santssima-trindade.html' title='A santíssima trindade'/><author><name>Roger</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17203552484862162917</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34312315.post-3753907154358404614</id><published>2008-01-18T14:22:00.000-08:00</published><updated>2008-01-18T14:27:13.353-08:00</updated><title type='text'>Janelas</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_ikwuT-qHbqw/R5EnKpeD7HI/AAAAAAAAAAk/8YDh7ioEpBU/s1600-h/janela+m%C3%A1gica.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://bp0.blogger.com/_ikwuT-qHbqw/R5EnKpeD7HI/AAAAAAAAAAk/8YDh7ioEpBU/s320/janela+m%C3%A1gica.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156946112200043634" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o segredo da vida esteja numa sombra na parede. À noite, sentado no sofá da sala, luz apagada, de costas para a janela, você olha na escuro da parede a imagem e o contorno nítidos da janela, do lustre, de folhas de árvores projetadas pela luz da rua. De repente, percebe que aquilo alí, estampado na sua frente, não é só uma sombra, mas uma nova janela, para uma outra rua, para um outro tempo. Para o dia que complementa a noite, ou para o outro lado do dia. Sentir isso é como um presente para a alma atribulada pela percepção por demais concreta do real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passado, presente e futuro parecem uma só linha olhando do alto a transcendência das luzes e sombras, assim como vê o astronauta a Terra: uma esfera majestosa, solta no espaço sideral como se nem as leis da física a pudesse dar rumo (ou porque nem as leis da física ainda conseguem explicar que rumo é esse). Mas que, apesar de seus mistérios e inacreditável beleza, aqueles que a habitam desconhecem sua grandiosidade, perdidos demais com as barreiras do dia-a-dia, com a avareza, a imensurável ambição. Que a janela para além daquela sombra traga, a todos, sensatez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Imagens copiada do site: http://www.fotodependente.com/data/media/55/A_janela_mgica.jpg&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34312315-3753907154358404614?l=rogermarzochi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/feeds/3753907154358404614/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34312315&amp;postID=3753907154358404614' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/3753907154358404614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/3753907154358404614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/2008/01/janelas.html' title='Janelas'/><author><name>Roger</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17203552484862162917</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_ikwuT-qHbqw/R5EnKpeD7HI/AAAAAAAAAAk/8YDh7ioEpBU/s72-c/janela+m%C3%A1gica.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34312315.post-7813786684050863035</id><published>2008-01-08T15:10:00.000-08:00</published><updated>2008-01-08T15:12:50.168-08:00</updated><title type='text'>Pede prá viver!</title><content type='html'>Os fogos de artifício que iluminaram a noite do dia 31 de dezembro de 2007 estiveram longe de anunciar a chegada de um ano novo. Muda-se a data, mais ficam os temores e torturas nas almas citadinas, como se até Deus tivesse se transformado em fã do capitão Nascimento: afogando a cabeça dos viventes num tonel frio de realidade bruta, ou sufocando-a num saco plástico para aflorar sua essência líquida. Em meio à tortura, Deus, sádico, grita! “Pede prá viver!, Pede prá viver seu zero dois! O mundo não aceita cidadão corrupto, seu zero dois!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pobre Deus. Terá que torturar mais quantos homens e mulheres para perceber que a vida tem sido, por si só, a corrupção dos sentidos? No cinema, o melhor filme brasileiro do ano passado, o “Tropa de Elite”, criou polêmica por permitir o espelhamento mais que perfeito do imaginário coletivo. O policial foi humanizado, “atomizado” na máscara social. Ele é pai, é marido, é pobre, é soldado que não aceita a corrupção policial com o crime que, legalmente ele deve combater. Policiais, suas famílias e simpatizantes, que vivem sob esse espectro da realidade, aplaudiram. E no combate cego ao seu objetivo, ele tem os sentidos corrompidos. Tortura e mata para cumprir a ordem pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer mais corrupção de sentidos que ver o capitão Nascimento ser transformando em herói nacional, e o Bope, o paraíso ético da lei, embora o diretor do filme tenha dito que não era essa a sua intenção? Mais corrupção dos sentidos que ver o personagem do filme posar de garoto propaganda de uma marca de cerveja, a droga legalizada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estudante bem intencionado, que participa de ONGs e quer “mudar o mundo”, transpirando um misto de explosão de hormônios, descoberta da vida e consumismo, permite-se burlar regras. Ao menos quebrar determinadas regras sociais deveria ser uma das principais marcas da juventude. Mas se corrompe ao fazer do vício um modo de vida e, por ele, chega a ser praticamente cúmplice de assassinato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se pode viver bebendo cerveja até morrer! “Mata?”, pergunta a garçonete da publicidade de cerveja ao ator que interpretou o Capitão Nascimento. “Quem?”, questiona ele, ávido por sangue. Ela olha para a garrafa, e ele prova um pouco do seu veneno em álcool. O imaginário coletivo, portanto, está corrompido. Qual o grau de periculosidade entre cerveja, uísque, cocaína, maconha, extasy, ópio? A juventude não quer saber. “Nunca antes neste país estivemos tão ‘não tô nem aí’!”, exaltariam. E é com esse desleixo com a vida, o foco excessivo no consumismo e na individualidade, que os jovens alimentam o tráfico dos sentidos, muito mais grave que o de drogas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É triste perceber que há toda uma guerra no País simplesmente porque não se consegue equilíbrio químico. Vivemos cercados de droga, mas o que define o seu risco à saúde e à sociedade é a dose. Quase todas as drogas ilícitas já se industrializaram e podem ser encontradas em qualquer esquina do País. Deixaram o plano da transcendência hippie para o do consumismo e da fuga. Este é o ponto. Mas o ponto se desloca para quem lucra com a venda de um produto ilegal. Uma questão que está intrinsecamente ligada à saúde pública, transforma-se numa guerra entre o Estado e seus publicitários e os capitalistas do tráfico com os seus promoters, alimentando interesses comerciais e, quem sabe políticos, de ambos os lados e causando mais vítimas que qualquer uma das guerras. Sem o fim do tabu às drogas legais e ilegais, a população continuará implorando para viver em meio à guerrilha urbana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34312315-7813786684050863035?l=rogermarzochi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/feeds/7813786684050863035/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34312315&amp;postID=7813786684050863035' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/7813786684050863035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/7813786684050863035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/2008/01/pede-pr-viver.html' title='Pede prá viver!'/><author><name>Roger</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17203552484862162917</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34312315.post-4999573096170403628</id><published>2007-12-06T07:59:00.000-08:00</published><updated>2007-12-06T08:14:01.530-08:00</updated><title type='text'>Petrobras sofre o maior golpe baixo da história</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Dr. Eráclito Manforte Faivinguer&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que pareceu à diretoria da Petrobras e à mídia um gesto que, no máximo, beira o obsceno e o pitoresco, foi na verdade um dos maiores golpes baixos já sofridos pela estatal desde a sua criação: contrariados pela falta de equiparação de proventos ao salário do pessoal na ativa, aposentados despiram-se de suas vergonhas em plena Praça dos Três Poderes. Não bastasse essa ter sido a segunda vez em que tal afronta acontece, desta vez os fotógrafos flagraram-lhes muito além dos fundilhos das calças, revelando a prova, somatizada literalmente no tecido social, das diferenças gritantes de equiparação salarial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A correlação somatizada entre a companhia, funcionários e aposentados levantam muito mais dúvidas que as relacionadas a cálculos atuariais e política de cargos e salários. Uma empresa que é reconhecida mundialmente pela capacidade extraordinária de furar poços de petróleo em águas profundas, foi ridicularizada pela extensão da sondagem dos mais promissores representantes perante a quimera requerida em praça pública. Este fato, aliás, já preocupa investidores sobre o impacto que haverá nas ações da companhia. Para debater o tema, será apresentado na Bolsa de Nova York, na próxima semana a palestra: a fertilidade do mercado de capitais face à crise de crédito subprime, promovido pela consultoria Increase Plemis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como essa companhia pode manter o mercado de capitais satisfeito se na semana passada a Petrobras informou que será preciso importar uréia para a produção nacional de diesel com menor índice de emissão de poluentes? Não há suficiente uréia num país continental como o Brasil, onde impera o calor e a cultura cervejeira?&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Quiçá nem a descoberta do megacampo petrolífero Tupi, na bacia de Santos, apazigúe os ânimos. É que a extração de seu conteúdo só será plausível em 10 anos, apesar do grande desejo de extraí-lo amanhã. No máximo, depois do almoço. A maioria dos problemas urológicos, de executivos que dioturnamente me procuram, é a distância entre a vontade de potência e a potência plausível. Muitos que apresentam todas as condições de alcançar bons desempenhos, no entanto, não conseguem deixar fluir essa emoção ou são tolhidos por camadas de pré-sal psicológico. É como se todo esse conteúdo de Tupi deixasse de fluir, num longo e, por que não, tortuoso processo tântrico de ser só a quimera de potência, do que há a jorrar. Por isso, como representante da ONG da Universidade Livre de Palo Alto, em cujos campi  me Phdei na multidisciplinar ciência da disfunção erétil psicosocial, envio meus argumentos ao escrutínio público.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;DR. Manforte Faivinguer é urulogista, 69 anos, PhD em problemas de ereção psicosocial pela Universidade Livre de Palo Alto, autor do livro “Extraindo energia na contemporaniedade”, pela editora Decor.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34312315-4999573096170403628?l=rogermarzochi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/feeds/4999573096170403628/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34312315&amp;postID=4999573096170403628' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/4999573096170403628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/4999573096170403628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/2007/12/petrobras-sofre-o-maior-golpe-baixo-da.html' title='Petrobras sofre o maior golpe baixo da história'/><author><name>Roger</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17203552484862162917</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34312315.post-8436529782947563166</id><published>2007-12-05T13:30:00.000-08:00</published><updated>2007-12-05T13:31:32.546-08:00</updated><title type='text'>Família Simpsons em: Revelações. “versão brasileira, BKS”</title><content type='html'>Sentado em seu sofá confortável, Evaristo Polis divide sua atenção entre a que considera a melhor revista e o seu telejornal predileto. Não que ele veja as duas coisas ao mesmo tempo. Não, definitivamente. Espera o início de cada comercial na tevê para continuar folhando sua revista, saboreando fotos, verbos e, principalmente, adjetivos. Quantos adjetivos! Passa os olhos pelos comerciais. Aliás, ele teme os comerciais. Há algum tempo, era possível passar os olhos pelas palavras, ou escuta-las, sem o atropelo dos comerciais. Mas ultimamente, até o jornal, o qual ele assina há anos, vem cercando os textos pelas beiradas, deixando a notícia como se fosse parte do comercial das Casas Sergipe! E na TV.... Até a TV Costura encurtou a programação para os comerciais.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas, ao som da vinheta acalentadora, que estimula a alma ávida por “in”-formação, assim como desejava a igreja chamar a atenção dos fiéis com seus sinos, ele volta o olhar para a tela de plasma, recebendo informações novas e emocionantes. Desde a invasão americana no Iraque, comprara um “home theater”, para ouvir os tiros, os zunidos dos aviões e bombas, as pás dos helicópteros cortando nos céus a vitória triunfante no teatro inimigo. “Gosto desse desse tom de voz... desse ritmo, parece um filme. Sente o gesso do teto tremendo com esse barulho dos aviões... Nossa Senhora!”, balbucia, em meio ao som alto da TV, para sua mulher, Cida D’Ann Polis. Mas com o som alto da TV, parecia mesmo que Polis apenas mexia os lábios, frente ao ronco os motores em uma matéria sobre a F-1. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Esqueceu que esse aí ó. Sim, esse aí ó... Ele falou uma vez, dona Clara é que me falou... disse sim. Sabe a Dona Clara, num sabe? A cunhada da filha da Márcia, amiga da Fernanda, que veio aqui ontem;;;; Ah, não se faça de besta! Então, ela disse que esse aí faz o jornal pensando em você como se fosse o Homer Simpnson”, sorri Cida, cuja maior preocupação era não perder o início da novela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o Sr. Polis fazia cara de lesado, por um momento o som da TV desapareceu por um problema técnico, desses momentâneos. Eis então, que um som de taquara rachada, preenche a sala; “O que é isso?”, aterroriza-se Cida. “Sua filha... Ela não te contou que agora está aprendendo saxofone?”. E, assim, Polis não se faz de rogado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34312315-8436529782947563166?l=rogermarzochi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/feeds/8436529782947563166/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34312315&amp;postID=8436529782947563166' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/8436529782947563166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/8436529782947563166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/2007/12/famlia-simpsons-em-revelaes-verso.html' title='Família Simpsons em: Revelações. “versão brasileira, BKS”'/><author><name>Roger</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17203552484862162917</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34312315.post-416079828142394828</id><published>2007-11-30T09:53:00.000-08:00</published><updated>2007-11-30T09:54:51.667-08:00</updated><title type='text'>Em defesa de uma ciência etilicológica</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Dr. Ilano Brás Armando Mamanquaza&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A humanidade está prestes a presenciar aquilo o que tem tudo para ser o marco da passagem definitiva, e assertiva, da ciência para o século XXI. A preocupação com a sustentabilidade do crescimento econômico frente à necessidade de alterar, drasticamente, as fontes de energia e, conseqüentemente, toda uma cadeia de produção que deriva da força motriz, da liberação do quociente sinético do movimento, que inflama as engrenagens de transmissão das esferas culturais e produtivas, faz-se necessário uma nova ciência capaz de mensurar as transformações em curso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A preocupação é tamanha com o aquecimento global que crescem os casos de histeria e suicídio coletivo, propalado por seitas radicais como o Movimento pelos Brócolis da Feira do Sétimo Dia, os Arautos da Chicória e a União dos Vegetarianos Sem THC (Tâmaras, Hortaliças e Curry). O radicalismo também pode ser notado nos movimentos que defendem o status quo energético. A Igreja Quadrangular do Virabrequim, o movimento “Deus, Falsidade ideológica e Petróleo” e as “Mães da Praça é Nossa”, querem queimar na Avenida Paulista, dez toneladas de alface contrabandeadas pelos supermercados do coreano Law Kem Shoyo. Não é de assustar que tais fenômenos sociais tenham sua gênese no compasso acelerado das mudanças de temperatura, umidade e pressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia-a-dia o aquecimento global vem derretendo o gelo da Antártica, alterando tanto o meio ambiente que até nas mais férteis terras da cordilheira, no lado boliviano, não é mais possível fazer a coca colar raiz firme ao chão; A estiagem vem transformando os rios em fios raquíticos de água que nem passarinho bebe; nos oceanos, maremotos que assustariam a frota do Kaiser. Nem guará na mata há que possa suportar os dias longos de sol. Até os ingleses estão perplexos com a mínima possibilidade de perderem traços culturais arraigados por décadas, porque com o impacto na agricultura, onde é que se caça chá para a reunião das cinco? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dúvida que a redução das emissões de gases que provocam o efeito estufa é uma saída para interromper a aceleração da catástrofe que se avizinha, igualmente importante é a utilização de combustíveis biosaudáveis. Mas o que era para ser um acidente, trouxe à baila a descoberta de um superfertilizante capaz de criar melhores espécies vegetais para absorver gás carbônico. Pesquisadores da Universidade de Glass Goule, na Escócia, beberam uísque em comemoração à notícia, recém propalada pela rádio, que o Prêmio Nobel da Paz havia sido concedido aos cientistas que participaram do Painel de Mudanças Climáticas IPCC. Justamente em Glass Goule, a equipe chefiada pelo italiano Giuseppe Inquinato, trabalhava na micropropagação de espécies selvagens de alecrim, capazes de absorver de forma mais eficaz o gás carbônico e resistente ao calor extremo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na estufa, onde tubos e mais tubos de ensaio sustentam em seu ventre pequenas mudas de alecrim, os incautos cientistas derrubaram meio litro de uísque no meio de cultura de um número ainda não confirmado de tubos de ensaio. Após duas garrafas enxaguadas, espantaram-se ao perceber que o número de plantas em cada tubo de ensaio havia duplicado, e inacreditavelmente, o número de tubos de ensaio havia quadruplicado. A pesquisa foi realizada novamente, com a abertura de mais duas garrafas de uísque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um cientista recém formado, no entanto, deixou-se levar pelo entusiasmo da nova descoberta, e decidiu que, ao invés de jogar meio litro diretamente sob os tubos de ensaio, deveria utilizar uma pipeta, que alternava o rego das plantas e a boca dos pesquisadores, para avaliação do PH da solução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado não foi um sucesso, como do modo anterior, ocasionado pelo mais puro acaso. Eis que Inquinato, chefe da equipe, decide reproduzir o acidente primevo, tanto para obter mais sucesso da divisão pluricelular de pipetas, uísques e alecrins, como para comparar os dados proporcionados pelo primeiro evento às novas tentativas de se fazer proposital aquilo que era acidental. O resultado, que será publicado na revista científica Etilycus, é que houve uma fagosíntese entre os átomos de vidro, células de alecrins por causada da solução etílica misturada ao meio de cultura vegetal. São ainda cambaleantes os meandros a serem perseguidos pela ciência no âmbito do aquecimento global, mas o método, essa luz que ordena a intempestividade do desconhecido, já está definido pelo big bang dessa nova ciência: a etilicologia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34312315-416079828142394828?l=rogermarzochi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/feeds/416079828142394828/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34312315&amp;postID=416079828142394828' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/416079828142394828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/416079828142394828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/2007/11/em-defesa-de-uma-cincia-etilicolgica.html' title='Em defesa de uma ciência etilicológica'/><author><name>Roger</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17203552484862162917</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34312315.post-8226292558270061573</id><published>2007-11-11T06:05:00.000-08:00</published><updated>2007-11-11T06:15:39.898-08:00</updated><title type='text'>Libertinagem de expressão</title><content type='html'>A publicidade vem conquistando uma maior "liberdade de expressão" ao conseguir impedir que o governo regulamente a exibição de determinados produtos em certos horários, em certas circunstâncias. As emissoras de tevê também estão vencendo a queda de braço com o governo, que também gostaria de regular a exibição de determinados conteúdos com forte apelo ao sexo, violência, drogas e rock and roll em novelas, seriados e congêneres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conceito "liberdade de expressão" está sendo a cada dia esvaziado por aqueles que advogam única e exclusivamente para o mercado. Houve uma época em que a palavra "merda", em algum produto cultural, era um símbolo da luta contra a ditadura, uma ousadia de algum músico ou artista, buscando escrachar o silêncio hipócrita de uma sociedade carcomida pela pelas aparências, pelo moralismo. Mas hoje, falar "merda", pode ajudar simplesmente a se vender mais discos, mais filmes, mais e mais. "Merda" deixou de ser protesto, para se transformar no que ela realmente significa. A única frente de nobre resistência para "merda" está entre os atores que, antes do início do espetáculo, bradam-na para dar sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas parece que as palavras, dia a dia, distanciam-se do mundo simbólico no qual foram forjadas para conseguir esconder os verdadeiros interesses daqueles que as pronunciam sorrateiramente, sem ficarem nem mesmo com as faces vermelhas. Uns dizem que a regulamentação da publicidade seria como a volta da censura; outros relembram o efeito nefasto dos censores em peças de teatro, em filmes. Aquelas pessoas sem alma, tão infelizes, riscavam até faixas dos antigos bolachões de vinil. Quem na década de 80 conseguia ouvir a faixa "Silvia, Piranha" do disco do "Camisa de Vênus"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a desfaçatez com a qual símbolos tão caros à racionalidade da vida em sociedade são usados para perpetuar as extravagâncias do poder, deixa qualquer um de bom senso perplexo. Tome como exemplo a campanha para o fim do registro profissional para o exercício do jornalismo. Mais uma vez o conceito "liberdade de expressão" foi deturpado. Os que defendem o fim do registro, argumentam que ele fere o artigo 5º da Constituição, que garante a liberdade de expressão. Um advogado, um pedreiro, um médico, uma dona de casa têm o direito à expressão, mas não têm registro de jornalista. Logo, não podem escrever. Santa flexibilidade lógica! Até chegaram a escrever que um médico precisa de faculdade, precisa ser fiscalizado pelo conselho de medicina, porque um erro significaria uma vida. E anunciar o prêmio da Mega Sena com números trocados, não seria caso de morte? E deixar de informar corretamente o público sobre políticos, estradas, desastres, buracos na rua, rebeliões em cadeias, valorização da Bovespa, corrupção, eleições, acidentes aéreos...?  Uma informação pode ou não significar uma vida? Não o jornalismo não é como um "diagnóstico" da sociedade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão é que o debate deixou de abordar os pontos cardeais: a falência do modelo das universidade de jornalismo; falta completa de consciência de classe entre os próprios jornalistas; e o desejo dos proprietários de veículos de comunicação em deitar pauta abaixo um modelo único do fazer jornalismo e de remuneração salarial. O registro profissional, que foi imposto pela ditadura militar, cria hoje um exército de mão-de-obra de baixíssimo custo, sem experiência e que ainda é treinada em cursos de empresas, os quais muitas vezes questionam se o jovem “foca”, como são chamados os novatos, são filiados a algum partido político. Por outro lado, o registro é uma barreira a muitos que praticam jornalismo sério, que se atualizam, que lêem até mais livros que os jornalistas registrados, que possuem curso superior e muitas vezes até mesmo pós-graduação em jornalismo. Mas por não terem feito a faculdade com habilitação em jornalismo, são impedidos de tirar o MTB. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que "liberdade de expressão" tem a ver com tudo isso? No livro "Notícia – Um produto à venda", da professora Cremilda Medina, da Universidade de São Paulo, o componente estrutural da reportagem é a “angulação”. Segundo ela, ao relatar uma notícia, o repórter é influenciado pelas esferas pessoal (sua visão de mundo e sua percepção diante daquele fato); grupal (os interesse do grupo empresarial no qual ele trabalha) e de massa (o público ao qual ele dirige essa informação). A forma como o "real" é relatado pelo repórter é a narrativa, em terceira pessoa como ficou consagrada no Brasil pela influência da imprensa "livre" dos Estados Unidos. A narrativa discorre sobre uma seqüência de fatos daquilo que seria mais importante para o menos importante. "No entanto essa aparência de continuidade ao acontecimento é falsa, porque o acontecimento vivido se transforma numa notícia; no caso, uma notícia verbalizada e que imediatamente passa a se submeter às categorias narrativas disponíveis ou em formação", avalia Cremilda. Ou seja, a narrativa é a tradução de um "real narrativo", influenciado pela visão do repórter, pelo grupo no qual trabalha e pela “massa” que ele pretende atingir, associado ao estilo narrativo do jornalismo, que busca transmitir ao leitor um sentido de cronologia e de contiguidade ao fato ocorrido para dar credibilidade à informação. Não deixa de ser um retrato do real, mas apenas um retrato.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que se esse “retrato” do real estiver influenciado mais por um que pelos outros dois mais fracos itens que formam a “angulação”, a liberdade de expressão, tal como defendem a publicidade e as emissoras de tevê, está comprometida. Liberdade de expressão não significa ausência de filtros, ausência de regras, ausência de escrúpulos. A liberdade pressupõe a possibilidade da expressão de divergências. Quando se impede a divergência, a crítica, a iniciativa, a liberdade cai por terra. E a “angulação” está do lado dos publicitários, que fazem de gato e sapato (como dizia minha avó) a semântica; e, os jornalistas, com ou sem registro, estão perdendo a olhos vistos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34312315-8226292558270061573?l=rogermarzochi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/feeds/8226292558270061573/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34312315&amp;postID=8226292558270061573' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/8226292558270061573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/8226292558270061573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/2007/11/libertinagem-de-expresso.html' title='Libertinagem de expressão'/><author><name>Roger</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17203552484862162917</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34312315.post-948916208165175649</id><published>2007-08-22T10:40:00.000-07:00</published><updated>2007-08-24T13:37:18.549-07:00</updated><title type='text'>Eficiência travada</title><content type='html'>A defesa de Denise Abreu, diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), de que não teria “especificamente” tratado com a juíza Cecília Marcondes a liberação da pista de Congonhas e que o tal “estudo”, publicado no site da agência como norma por “engano” de sua equipe técnica, mas entregue à juíza em meio a “outros papéis” a complica de qualquer forma. Não há explicação que possa justificar uma ação que direta, ou indiretamente, acabou por induzir a erro uma decisão judicial para liberação da pista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estudo sem qualquer efeito legal, fantasiado de norma no papelório, dispunha sobre a proibição de uso da pista às aeronaves que estivessem com um dos reversos inoperantes em caso de chuva. A questão não é culpar apenas a falta das ranhuras na pista no acidente que causou o maior desastre aéreo do país. Que ocorreu num dia de chuva; com um avião com um dos reversos travado; com possível falha de manutenção em uma das turbinas, que apresentara no mesmo dia problemas; com possível erro do piloto no uso do manete; possível pane no computador; com a aeronave lotada de pessoas e cheia de combustível. Um ou cada um de todos esses detalhes podem ter causado a tragédia, resta saber o que revelarão os estudos feitos com base nos dados da caixa preta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas mesmo que a investigação constate que o acidente ocorreu não apenas por um fator, mas sim pela conjunção de todos eles, isso não servirá como argumento para absolvição coletiva. E a advogada Denise terá que responder como um “estudo”, divulgado até no site da Anac, fora incluído por engano na papelada entregue à juíza num encontro onde a diretora alega que estava apenas “representando a diretoria da Anac”. Como diretora, ela não faz parte da diretoria? Estranho. Mais estranho é a agência não ter promovido o tal “estudo” ao grau de norma. E que, ao ser aplicada, houvesse fiscalização para seu cumprimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas isso, ao menos, poderia evitar o acidente por completo ou pouparia vidas caso a pista de pouso fosse a de Guarulhos; caso o avião não esteve repleto de combustível nas asas; caso não estivesse acima do peso; caso... O que interesse é que o papel específico da Anac não foi cumprido, somou-se a todos os outros infortúnios do vôo 3054. E é um exemplo que prova que a diretora, ou toda a sua equipe, voam pelo serviço público com um dos mais caros itens de segurança travado: a eficiência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34312315-948916208165175649?l=rogermarzochi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/feeds/948916208165175649/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34312315&amp;postID=948916208165175649' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/948916208165175649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/948916208165175649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/2007/08/eficincia-travada.html' title='Eficiência travada'/><author><name>Roger</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17203552484862162917</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34312315.post-8164305192021261939</id><published>2007-08-17T16:58:00.000-07:00</published><updated>2007-08-17T17:05:29.388-07:00</updated><title type='text'>Idade das trevas</title><content type='html'>A comoção descomunal pela morte de 199 pessoas no acidente aéreo em Congonhas, trágico como qualquer outro acidente que provoque ao menos uma única morte, voltou a expor as feridas de uma sociedade que, nem bem se entende enquanto sociedade, aceita-se a ser comparada a países tão diversos como a Índia, a Rússia e a China, que formam a sigla “Bric”, que um banco estrangeiro interessado em vencer na roleta da especulação global, decidiu uni-los todos na mesma face, num mesmo dado. E no jogo, há especialmente truques para garantir a sorte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o Brasil não pode ser chamado de “país”, se nele compreender o sentido do bem estar social, do desenvolvimento, da distribuição de riquezas. Espaço da mão-de-obra barata, mas com os impostos! Pobres, não terão como competir com a Índia nem na atração de empresas de “Call Center” ou software. Gente dotada de grande criatividade, mas que lhe serve apenas para não cair no cheque especial quando muito, porque se for para abrir uma empresa e colocar a idéia no mercado em forma de produto... Melhor pedir ajuda à máfia russa. País de dimensões continentais e de grande riqueza, mas que é concentrada na mão de nem 10% da população. Uma praia no fim de semana? Nem isso às vezes o povo consegue usufruir, porque se criam “condomínios” particulares em terras públicas, da Marinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seriam políticas de “castas” que tornam essa distinção entre o que deveria ser igual, ou  de oportunidades equânimes, tão notória?  O que é que vale neste país? George Soros, em entrevista ao Roda Viva neste ano, ao menos deu uma explicação convincente: serve para aplicar dinheiro captado a custo próximo a zero no Japão para render o que a Selic rende hoje. Ou será que somos ainda “índios preguiçosos”, “imigrantes” que só se entendem em seus guetos, mas que se perdem na rua lá da esquina, a divisão “natural” entre os bairros? Somos um pouco de cada coisa, limitados por um pouco de tudo, um tipo de “tragédia anunciada” num projeto de construção de um país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A saída voluntária dos militares e a volta “assistida” da democracia em 1985 ainda não gerou uma sociedade propriamente dita. Não conseguiu curar os estragos dos 20 anos de ditadura militar. Assim como a eleição de Lula não pode mais ser vista como o ápice da esquerda no poder, que lutaria por melhores condições de vida. Um presidente, eleito sob a bandeira da ética, na defesa daqueles que não têm o que comer, num partido avaliado pelos cientistas políticos como autêntico, de base, de raízes, não pode se manter no poder sem ter cumprido o que defendia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas vemos a política ainda como uma partida de futebol, como vê o presidente Lula em quase tudo. Memórias da ditadura? Talvez. Alguns ainda não se deram conta que o discurso de Lula hoje não representa mais o ideário da sociedade pretendida em 2002. E pior, a oposição, hoje é feita pela antiga situação, num novo grupo de “fracassomaníacos” à moda FHC. Pobre Lula. As vaias na abertura do PAN deveriam ser passado, mas os jogos acabaram e ele ainda está ressentido. E temos que ouvir, pela segunda vez, sua teoria sobre quem deveria estar “zangado” com seu governo. “Os que estão vaiando são os que mais deveriam estar aplaudindo, posso garantir que foram os que ganharam muito dinheiro neste país, no meu governo. Aliás, a parte mais pobre é que deveria estar mais zangada, porque ela teve menos do que eles tiveram. É só ver quanto ganham os banqueiros, os empresários, e vamos continuar fazendo política sem discriminação”, disse Lula, segundo reportagem da Folha de S.Paulo, para explicar as vaias que levou no PAN durante o lançamento do PAC em Cuiabá, dois dias após o fim do evento, dia 31 de julho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É terrificante ouvir, pela segunda vez, Lula confirmar que seu governo beneficiou a elite, que sempre lucrou com todos os governo. O presidente nem percebe que está atestando a incompetência de seu governo ao não fazer o que defendia. Na frase, ele acaba usando o povo como massa de manobra, como um tipo de “ameaça” propriamente dita contra as tais elites. E a oposição, esse baluarte da resistência, brinda-nos em seu estilo “o diabo veste Daslu”. A atribuição de culpa ao governo no mesmo momento em que ocorreu o acidente da TAM, antes de qualquer investigação, é o mesmo lado do “top, top, top” com o qual respondeu Marco Aurélio Garcia. São duas torcidas, pautadas pela arrogância e vaidade, não são dois projetos de governo que se embatem. A culpa é de todos nós, à medida que vemos no amigo ao lado, um possível inimigo. Ao estacionarmos em fila dupla, numa privatização de um espaço coletivo; ao associar felicidade à obtenção de mais bens materiais. Estamos falhando no projeto de sociedade. Votamos no presidente como quem escolhe um santo protetor, e a quem se recorre em épocas de eleição como quem precisa de um milagre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixamos FHC criar um sistema chamado de “agências reguladoras” só para garantir a “estabilidade dos contratos”, mas que permite a TAM deixar seu avião voar com defeito num reverso e com o tanque na capacidade máxima para pagar menos ICMS por ter abastecido em Porto Alegre, e não em São Paulo. A elite, que tanto quer ser um espelho do lhe é diferente, daquilo que é externo, que preferia a comodidade de um aeroporto de fácil acesso ao centro financeiro do País, sai em protesto gritando “Fora Lula”, mas paradoxalmente é a que ainda se beneficia do caos, da ausência do Estado na saúde, educação, planejamento, mobilização popular e estratégia. E todo um país é parado numa batalha medieval, onde parece ainda ecoar os dogmas que na idade das trevas eram monopólio da igreja e de reis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34312315-8164305192021261939?l=rogermarzochi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/feeds/8164305192021261939/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34312315&amp;postID=8164305192021261939' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/8164305192021261939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/8164305192021261939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/2007/08/idade-das-trevas.html' title='Idade das trevas'/><author><name>Roger</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17203552484862162917</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34312315.post-116835542831656750</id><published>2007-01-09T13:08:00.000-08:00</published><updated>2007-01-16T09:50:10.373-08:00</updated><title type='text'>Através do "pijama" de Voltaire</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/5532/3779/1600/975143/Pimentel2.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/5532/3779/320/854428/Pimentel2.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;p&gt;“Um grande homem nunca é grande em pijama.” Foi com essa frase de Voltaire que o jornalista Roberto Pimentel se referiu ao fato de a mulher de Monteiro Lobato, dona Purezinha, não ter a completa noção da genialidade do homem com quem vivera por tanto tempo, cujos livros já eram traduzidos no exterior e encantavam adultos e crianças. Ao entrevistá-la em seu apartamento em São Paulo, Maria Pureza da Natividade Monteiro Lobato trouxera na sala jornais baianos que haviam publicado cordéis de trovadores em homenagem ao escritor paulista. “Veja meu filho, até no interior da Bahia ele é conhecido”, dissera ao repórter Pimentel, que à época trabalhava no suplemento de cultura que criara na Folha de Goiás. “Quer dizer, eu aí escrevi, que aquela senhora, que tinha sido professora, convivera com o genial Lobato a vida inteira, não tinha a mínima noção da glória dele, nem da repercussão dele até no ‘interior da Bahia’. Quer dizer, para os íntimos, não existe um grande homem, o íntimo é o vovô, o titio que anda pela casa, tem a mesma necessidade que os outros. Ele vivera ao lado dela em pijama”, recorda Pimentel, que também é psicólogo, professor e, claro, poeta.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Ele, que completará 81 anos no dia 3 de fevereiro de 2007, é mais jovem que eu, que celebrarei 33 anos de vida no dia 1 de fevereiro. Caminhando pela Vila Madalena, bairro onde o conheci há 3 anos, passos curtos, sempre com uma poesia na mão, uma carta no bolso, um sorriso e uma vontade de viver que extrapolam os conceitos de "velho" e "moço". Pode até parecer que, ao andar alheio aos que passam pelo bairro, pareça apenas um homem em seu "pijama", em sua pública intimidade. Seu conhecimento, seu espírito jovem, sua alegria e poesia só se revelam aos que deixam de lado o homem comum, com suas necessidades básicas, seus medos, e aceitam mergulhar nas memórias de um grande jornalista, que como gosta de dizer, "passou pelo tempo", presenciando a transformação da cultura, do jornalismo e do amor. Foi para revelar essa sua genialidade, essa sua incrível leveza em passar pelos dias com lucidez, transbordando ternura para com os jovens, crianças e, especialmente, com as moças mais novas, que resolvi gravar uma entrevista com ele a 3 dias do Natal, em dezembro de 2006.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Para eternizar as boas histórias que ele já me contara, além de outras que acabou revelando, fomos para uma padaria novíssima do bairro. E não é que, até lá, o homem pôde ser visto ainda mais para além do "pijama" de Voltaire, já conhecendo uma das donas do novo estabelecimento! A entrevista a seguir é uma viagem no tempo, com lembranças do jornalismo que ele começou a fazer em Niterói no "O Estado", da experiência ao ver ao vivo e em cores um gracejo corajoso do grande Barão de Itararé diante de um Getúlio Vargas ditador no Rio de Janeiro, da poesia escrita ao seu grande amor e de sua receita para a existência de um relacionamento amoroso. Com vocês, o imortal Roberto Pimentel:&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Conte-me, tudo! Onde nasceu, onde estudou?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Nasci em Niterói, no dia 3 de fevereiro, 1926. Naquele tempo, Niterói era capital do Estado do Rio. Depois, Niterói perdeu esse status. E o Rio de Janeiro atual, a cidade do Rio de Janeiro, era Distrito Federal, era o que Brasília é hoje. Éramos cinco irmãos, dois já morreram. Eu era o mais velho. Fiz o curso primário num grande colégio das irmãs Halfeld. Eram aparentadas com quem criou uma cidade em Minas. Arina, Corina e Marina. Naquela época, tínhamos curso de francês nas duas últimas séries do primeiro grau, que tinha quatro anos. A base que estudei a língua portuguesa foi de lá. Naquele tempo, tinha uma mania danada de análise lógica, que se achava que era tudo na gramática, quando hoje se sabe que não é. Hoje pesa mais pelo lado do saber escrever, mas não como os clássicos portugueses, mas saber escrever dentro de um jeito brasileiro, coisa que a Semana de Arte Moderna colocou no Brasil. Antes disso a linguagem que usávamos era a linguagem de Portugal. Tínhamos até um modo brasileiro de falar, mas havia a língua do povo e a língua culta, literária, que ainda há, mas menor, porque os escritores se aproximam do modo popular hoje. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Qual foi a influência do seu pai na sua carreira?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Não houve, porque minha a carreira divergiu completamente da dele, que era matemática, engenharia, e eu entrei no campo das ciência sociais. Ele não me influenciou, mas pedia para que eu estudasse. Ele nunca disse nadinha, só quis que eu estudasse. E eu estudei. Durante o ginásio tive professores particulares de francês e inglês. Que o francês era a língua diplomática, língua universal, o inglês veio muito depois com a prevalência do americano após a Segunda Guerra Mundial, que o americano passou a dominar o comércio. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O que o levou ao jornalismo?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;O que me levou ao jornalismo foi um negócio até muito engraçado. Eu era estudante de Ciências Sociais, ainda morava em Niterói, e um dia tinha lá um jornal que era o maior, que era “O Estado”, que pertencia à organização “A Noite”. A organização tinha vários jornais, como o “Estado do Rio”, “A Noite do Rio”, etc. Era do governo. E um dia levando uma matéria da faculdade para publicar no “O Estado”, do curso de Ciências Sociais, falei lá com o secretário, que se chamava Castro Alves,  um grande sujeito. Como eu publicava poemas, essas coisas de jovem, de rapaz, ele me disse: “Você não quer ajudar a gente aqui na redação sendo revisor?”&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;O revisor naquela época não precisava ter curso nenhum, era a “estudantada” que fazia e ganhava uns “cobrinhos”, porque o jornal na realidade não tinha ordenado, pagava lá no fim de semana qualquer coisa. Então, comecei a ajudar no jornal e fazer a revisão. Isso foi entre 1946 e 1948, não me lembro bem. E na revisão comecei a mudar algumas coisas do texto que não estavam bem claras. Aí o Castro Alves me perguntou: “Você se daria bem aqui na redação?” Eu aí brinquei com ele: “Me dar bem eu me daria, mas não sei se vocês vão se dar bem comigo na redação.”&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;E ele então disse: “a partir de amanhã, você vai ficar conosco na redação.” Naquela época não era assim com hoje, não tinha nada de tecnologia. O repórter sai pela rua, ia lá ver o dados, e ficava por isso mesmo.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Você começou cobrindo qual área?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Eu comecei cobrindo polícia, como acontece quase sempre quando se inicia na profissão. Depois me mudaram para parte política, e fui fazer as sessões da Câmara Municipal de Niterói, que era à noite. E aí encontrei lá um camarada de grande prestígio, que tinha sido deputado federal em várias legislaturas pelo Rio, que já estava velho e decadente e acabou sendo vereador. Chamava-se Nourival de Freitas. Ele fez um trabalho de geografia, um trabalho para o governo, ligado a um problema qualquer de geografia brasileira, que depois a turma viu que não valia nada e meteram o pau naquilo, inclusive está até documentado em livro de um grande historiador. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Como foi presenciar Getúlio Vargas e o Barão de Itararé, no mesmo local?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Ah, foi numa sessão da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), dirigido pelo então presidente &lt;a href="http://www.abi.org.br/paginaindividual.asp?id=197"&gt;Herbert Moses&lt;/a&gt;. Não estava no “O Estado”. Nessa época, estava no “Correio da Manhã”, do &lt;a href="http://www.arquivonacional.gov.br/gf/exemplo.htm"&gt;Paulo Bittencourt&lt;/a&gt;. Foi um aniversário decimal da ABI, que o Moses, que era presidente, um judeu muito ágil e inteligente, ele decidiu fazer na sede da ABI um ambulatório grande, com médicos e esse negócio todo. E nesse aniversário ele convidou o Getúlio, e também um conterrâneo do Getúlio, um sujeito chamado Apparício Torelly, mais conhecido como o &lt;a href="http://www.releituras.com/itarare_bio.asp"&gt;Barão de Itararé&lt;/a&gt;, que foi um dos melhores humoristas brasileiros. Ele tinha um jornal chamado “A Manha”, que era uma caçoada com o jornal “A Manhã”.  E o Barão era um homem cheio de graça; Ele tinha um Almanaque Anual que ele chamava de “Almanhaque”.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;E aí o Barão, conterrâneo do Getúlio foi lá. E na véspera tinha sido preso um jornalista por ter criticado o governo. E o Herbert Moses, com muita habilidade no discurso de saudação ao Getúlio, e de inauguração do ambulatório, pediu que o presidente visse o caso do colega detido, e, se pudesse, assim e assado, libertá-lo. E o Barão pediu a palavra. “Peço a palavra!” E o Moses fingia que não ouvia , porque sabia que ele era um gozador, pensou que, diante do Getúlio, o Barão faria alguma gozação. E o Barão ficou lá de pé, pedindo a palavra. Até que o presidente da ABI cedeu. “Excelentíssimo doutor Getúlio Vargas”, disse o Barão - Eles eram conterrâneos, e se encontravam muito na rua da praia. E também no Rio Grande do Sul, quando o Getúlio foi “presidente da província do Rio Grande do Sul”, como era chamado o cargo de  governador. E o Getúlio também se encontrava muito com ele na Livraria do Globo, que era a melhor editora da época, com grandes traduções e grandes escritores, como o Érico Veríssimo. O Érico disse, numa publicação que tenho até hoje,  que foi o próprio Getúlio que deu a idéia de a livraria publicar uma revista cultural que se chamou Revista de Cultura do Globo. Eles (Getúlio e o Barão) eram conhecidos, amigos até, etc. -&lt;/p&gt; &lt;br /&gt;&lt;p&gt;E aí o Barão pede a palavra e diz: "Excelentíssimo doutor Getúlio Vargas, muito digno presidente da República, ao contrário do colega , presidente desta casa, que pede a vossa excelência a liberdade do colega preso há três ou quatro dias, eu peço, excelência, que dê liberdade a todos nós!"&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Que naquela época o jornalismo estava fechado pela ditadura, os jornais não podiam publicar muita coisa. E foi aquela gozação. Mas o Getúlio ao sair, cochichou algo no ouvido do Filinto Müller, que era o chefe de polícia do Rio. Todo mundo pensou que o Barão seria detido, como já tinha sido várias vezes. Mas ele ficou na calçada batendo papo com o pessoal. O Getúlio saiu, o Moses saiu, a polícia saiu... E ele ficou na calçada com o pessoal. O cochicho talvez foi no sentido de dizer para deixar o Barão em paz aquele dia, até porque ele já havia sido preso diversas vezes. Não escrevi nada nesse dia, fui lá só ver no que dava.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Qual matéria você mais achou interessante escrever?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Eu escrevi muita coisa, uma delas muita engraçada, foi há 10 anos da morte do Lobato, ou 20, não me lembro mais. Eu vim fazer uma entrevista com a dona Purezinha, a mulher do Lobato. O nome dela era Maria Pureza da Natividade Monteiro Lobato, e morava num apartamento muito bom na Duque de Caxias e vim aqui fazer entrevista com ela. Na época, eu estava num jornal de Goiânia, onde morei uns 8 anos. E ela me contando coisas do Lobato, como gostava disso, daquilo, dos pratos que gostava, das conversas que ele tinha com as crianças. E ela me contou uma coisa interessante. Tinha sido realizada na Bahia uma competição de trovadores sobre a obra do Lobato. E o governo tinha publicado vários cordéis sobre ele. E aí ela disse que agora, essa competição de cantadores, o governo mandou publicar esses cordéis todos. E aí veio com um pacote enorme. "Veja meu filho, até no interior da Bahia ele é conhecido" (risos).&lt;/p&gt; &lt;br /&gt;&lt;p&gt;Quer dizer, eu aí escrevi, que aquela senhora que tinha sido professora, convivera com o genial Lobato a vida inteira, não tinha a mínima noção da glória dele, nem da repercussão dele até no “interior da Bahia”. E me lembrei do Voltaire, que dizia: “um grande homem nunca é grande em pijama”. Quer dizer, para os íntimos, não existe um grande homem, o íntimo é o vovô, o titio que anda pela casa, tem a mesma necessidade que os outros. Ele vivera ao lado dela em pijama, ela não sabia que até no interior da Bahia ele era conhecido, e era traduzido em outros países, obras no Brasil inteiro. Esse texto eu escrevi para um jornal de goiana, onde morei algum tempo.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Outra coisa engraçada. Ela me mostrou várias cartas de crianças, que ele recebia dezenas. Numa delas um garoto tinha escrito uma história em folha de papel almaço, que tinha escrito cinco livros. Para esse garoto, cada folha era um livro. E mandou uma cópia para o Lobato. E que uma cópia ele mandou para o Lobato para saber a opinião dele, para saber como escrevia para criança e como se ganhava dinheiro vendendo livro. Um “livro”, ele dizia que a mãe havia comprado por 2 mil réis. Naquela época, era muito dinheiro. O segundo ficara com ele. O terceiro, enviara ao Lobato; a quarta, com a avó; e pediu para o Lobato consertar o texto, se tivesse erros, e pedia para saber, para que o Lobato o ensinasse a escrever história, porque ele queria ganhar dinheiro vendendo livro.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Mas ele dizia o seguinte: que o Lobato. Ah,sim...perguntava ao Lobato como ele fazia para ganhar dinheiro com livro. Porque só um foi comprado. E o Lobato escreveu em uma cartinha, como se escrevia para criança, e dizia que o garoto estava começando com muito mais sorte que ele: "porque o meu primeiro livro ninguém comprou", escrevera Lobato.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Você não tentou falar com esse garoto na época?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Ah, isso faz muito tempo, o Lobato morreu em 48... o garoto já deve ter morrido também.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Conte-me aquela história, que adoro também, sobre o almoço que você ganhou do Rubem Braga.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Foi numa churrascaria. Foi no "Correio da Manhã", no Rio. Nós almoçávamos lá, que ficava em frente ao jornal . E no sábado, toda redação ia para essa churrascaria. E num desses dias, Rubem Braga lançou um desafio:  “Estamos numa churrascaria. Aqui tem espeto, que é aço. Tem a fumaça da churrascaria, e assar, o verbo assar, assar a carne. Então quem fizer um poema com aço e assa ganha o almoço.” Quem quis tentar, tentou; tem gente que não tentou; eu tentei e fiz isso aqui e ganhei o almoço: &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;“Essa fumaça do que não passa&lt;br /&gt;Fica no espaço e no cansaço&lt;br /&gt;Fica na taça,&lt;br /&gt;no corpo laço,&lt;br /&gt;no meu abraço&lt;br /&gt;Fica no traço do que perpasso&lt;br /&gt;Nessa vida baça,&lt;br /&gt;Esta fumaça”&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Aí ganhei o almoço né! E depois, esse poema foi publicado. Mas não em livro. Trabalhei no Correio da Manhã foi... eu não me lembro bem em datas, mas na época acho que ainda era estudante. Foi entre as décadas de 40 e 50. Mas há muitos episódios interessantes. Eu morava em Niterói, e o Roberto Silveira, que foi governador do Estado do Rio e morreu em desastre de helicóptero, era estudante e eu era muito amigo dele. E ele queria me levar para o partido e acabei não indo. Ele foi um governador de realizações, deixou um "nomão". Ele era uma figura muita interessante. Eu me afastei dele, e ele foi governador do Estado e tal. Um dia eu o encontrei numa solenidade. E ele me abraçou, efusivo, disse para eu aparecer, que queria falar comigo. Ele morreu, e eu não apareci.(risos!) Há várias anedotas históricas com essa personalidade.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Há outra, com um secretário do Estado, com quem eu trabalhei em São Paulo, cujo nome vou dispensar de dizer, porque os filhos dele podem não gostar. Um dia, estava com ele em casa fazendo um trabalho, e ele usou um termo que achei que não era adequado, que era desusado, mas usado assim por um Herculano, mas o valor dele já havia adquirido outra conotação. Ele então disse, “olha tá tarde, vamos deixar isso para amanhã.” E eu concordei: "isso é bom, porque aí eu consulto o ‘Morais’."  Que era o famoso dicionário Morais, que era um dos maiores com relação à língua clássica, não tinha ainda o Aurélio. A última edição do Morais fora publicado em 1913. O “Morais”, a primeira edição foi do fim do século XVIII. Aí ele disse: "Que isso rapaz, vai acordar o homem a essa hora da noite!" (gargalhadas...)&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;O secretário tinha um prestígio danado e disse isso. Era um homem de cultura e esse negócio todo. E eu que convivi mais ou menos com esse pessoal e saí desencantado de muitos deles, não só daqui como do Rio, de Goiás onde vivi muito tempo.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Um dos prefeitos de Goiânia, por exemplo, tinha o hábito no discurso de dizer “minhas senhoras, meus senhores”, como se estivesse em um salão, sabe. E não em um comício, cuja linguagem é outra. É “povo da minha terra”, como fazia o Ademar de Barros, era coisa mais aberta. E ele entrou assim: “Minhas senhoras, meus senhores!” E quando ia começar o discurso, um garoto gritou “e as crianças?”&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Aí, como ele era muito inteligente, resolveu aproveitar aquilo e fazer um discurso sobre educação, um discurso para as crianças. “Porque hoje eu vou falar para as crianças”&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Outra história legal, é que quando estava em Niterói, um dia liguei para o Carlos Drummond de Andrade, e queria a opinião dele sobre o dia do poeta e aquela coisa e tal. E ele disse, "me liga daqui a dez minutos". Aí veio o Drummond dizendo uma mensagem, falando em poesia lírica, poesia épica e, como todo mundo já falava em conquista de espaço aquela coisa e tal, ele falou em "poesia espacial". Era uma mensagem linda. No dia seguinte, quando abri o jornal, vi que, ao invés de poesia espacial, que era o cerne da coisa, saiu publicado "poesia especial" .  Perdeu todo o sentido, perdeu tudo. E um dia ele estava andando na Praia de Copacabana na época e até mudei de lugar na calçada, porque tinha vergonha até de encontrá-lo. E mudei de calçada, com vergonha por ter errado. De vê-lo e ele pensar: esse idiota aí não entendeu a mensagem.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Quando o Drummond fez 80 anos, fiz uma crônica no jornal lá em Goiânia, relatando isso. E aí comentei na crônica do aniversário dele e comentei esse episódio que perdeu toda a beleza, porque estava num contexto. E ele me respondeu com um cartão muito bonito, por minha brilhante e generosa crônica. Depois mandou um outro bilhete muito bonitinho. E quando ele &lt;a href="http://www.memoriaviva.com.br/drummond/opoeta.htm"&gt;morreu&lt;/a&gt;, escrevi outra crônica. Morreu depois de 12 dias da filha, Julieta.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Trabalhei bastante na área de cultura de jornais. Em Goiânia fiquei oito anos e tinha até uma página inteira de cultura. Recebi até o maior prêmio de comunicação de lá, do troféu Tioco. Aliás é errado esse nome, deveria ser Tilicoco, porque é uma boneca feita pela tribo Carajá, na Ilha do Bananal, feita de pano, que a União Brasileira de Escritores estilizou em bronze, e dá a quem se destaca na área de educação. Erroneamente foi chamada de Tioco, mas começou errado, continuou errado e virou tradição. Ganhei vários prêmio. Lá eu trabalhei no jornal Folha de Goiás, o mais antigo de lá. Outra coisa que ganhei foi o título de Papai do Ano, dado pela Maçonaria. Lá teve coisas interessante, sabe.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Como você avalia o jornalismo de hoje e o daquela época?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;O jornalismo melhorou, está dinâmico. Mas hoje, assim como naquela época, a quase totalidade de jornais estão na mão de empresários. Mas o interessante é que, naquela época, não era assim bem empresário, o jornal era do "Dr. Bittencourt", de "Dr. Fulano". Era mais usado para fazer política, não eram empresas jornalísticas. Havia em Niterói o  Zé de Matos, que tinha um jornal que não me lembro o nome. Era um português muito vivo e ligado à colônia portuguesa de Niterói. Toda semana tinha anúncio de um vendeiro qualquer, um dono de butiquim, de padaria, que pagava a ele em geral uma página, entende (risos), que era o custo do jornal que saia naquela semana. Não me lembro do nome do jornal. Ele era muito inteligente. Eu até fiz entrevistas para ele, e me mandava fazer entrevista com um ou outro português, que ficava todo contente com foto no jornal, etc. Ele pagava a publicação depois.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Havia em Niterói uma associação ou clube de portugueses em que eles faziam almoços, etc, coisa muito bonita. Uma das coisas mais engraçadas, num desses almoços....Bem, não foi nesse clube dos portugueses, foi em outro lugar (disfarça, sorrindo). Lá tinha clube de ingleses também. E houve... Então, o Roberto Silveira era deputado federal e com um nome ilustre, já pintando para ser governador e num almoço, mas não me lembro quem realizou e onde foi.... sabe... Mas as mesas, era o seguinte: Era uma mesa central, da diretoria, e uma série de mesas transversais. E o Silveira chegou e ficou nessas mesas transversais. Todos receberam convites especiais, ou seja, não havia nenhum penetra lá. Nem havia desconhecidos. Sei que, de repente, o presidente da entidade se levanta e diz: ilustre sr. deputado Roberto Silveira, saia da massa anônima e venha cá para o nosso meio (risos!). Alí não havia massa anônima! Todos estavam convidados. E aí o Roberto Silveira se levantou, talvez muito constrangido , foi sentar lá.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Pode falar Pimental, era em uma associação de portugueses?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Ah, não sei. Não me lembro bem (risos!)&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;E sobre o amor, a paixão, com foi isso em sua vida?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Morei com uma moça, no Rio. Uma advogada, que morreu de câncer generalizado. Faz muito tempo. Eu fui para Goiânia por causa da morte dela, para esquecer o Rio. Ela era muito inteligente... E quando ela morreu, eu escrevi um poema:&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Antes de dizer um poema, chega à padaria duas moças com duas crianças, tomando sorvete. Imediatamente, uma das crianças brinca com Pimentel. E ele, vendo que estavam tomando sorvete, brinca com as crianças. "Tomando sorvete! A esta hora?" Era por volta das 13h. As crianças sorriem. Ele volta, olha para mim, e diz o poema.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Tudo quanto se foi permaneceu em mim&lt;br /&gt;Sou mais passado que presente&lt;br /&gt;Sinto agora que o meu é menos meu&lt;br /&gt;E que tudo que me foge, de repente&lt;br /&gt;Das ilusões às cores que viveram&lt;br /&gt;Vão comigo também na inquietação&lt;br /&gt;Os dias que se foram&lt;br /&gt;O coração é que perdeu&lt;br /&gt;Os sonhos que morreram&lt;br /&gt;Nele resta uma cor tão imprecisa,&lt;br /&gt;Sombras de tantas dúvidas dispersas&lt;br /&gt;A existência que foi vivida indecisa&lt;br /&gt;Nesta noite das vidas submersas"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Muda de assunto, no mesmo momento.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Outro dia eu li um trabalho, desse que escreveu muito tempo, o Tinhorão, que por sinal eu conheço e o encontrei na Biblioteca Municipal. As pessoas falam sobre as músicas indecentes de hoje, mas ele comenta sobre as da década de 20, que são mais indecentes que as de hoje. Por exemplo, uma que ele fala é aquela que diz: “no cume daquela serra eu plantei uma roseira, tanto mais as rosas crescem quanto mais o cume cheira.” Isso foi letra de música da década de 20! &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Outra é assim: “Na minha casa não se racha lenha, na sua racha, na rua racha. Na tua casa não se pica fumo, na minha pica, na minha pica.” Aí a turma fala que as músicas de hoje é que são indecentes (risos) &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Como o sr. define um relacionamento amoroso? Que é um assunto muito discutido em nossas conversas.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;A ligação amorosa seria como um “tripé”, em que cada pé corresponde a uma afinidade. O amor homem mulher seria isso, não estou falando do amor entre pai e filho,  mãe e filho, para não cair em Freud (risos). Como num tripé , os pés estão eqüidistantes um do outro, equilibra o peso. Um pé seria “afinidade afetiva-emocional”; a outra seria a “afinidade de valores”, morais, sociais, etc. Tem que haver, senão não há ligação. E a outra afinidade é a “sexual”. Quer dizer, isso sustenta o tripé. Mas é também preciso existir três atos. É um ato de “conviver” e não de “viver com”. É um ato de “comunhão”, e não de “simples união”, que significa partilha e identificação. É um ato de “doar-se” e não de “dar-se”. O “Eu” de um e o “Eu” do outro, sem que cada um perca a sua identidade, tem que formar uma terceira coisa chamada “Nós”. E cada um dos “Eus” têm que viver em função do “Nós”. Assim como dizia um pensador hindu, “a árvore, o rio e a montanha formam uma quarta coisa chamada paisagem.” Esse “Nós” tem que corresponder a uma paisagem , porque quando você vê uma paisagem , você não desassocia uma coisa da outra. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Quando você se recorda da árvore,  lembra-se da paisagem como um todo. Assim como quando vê o rio. Esse “Nós” tem que corresponder a paisagem, sem que cada “Eu” perca sua identidade, para formar o “Nós”. É uma comunhão que ultrapassa os limites do entendimento humano. Hoje, por exemplo, os casamentos não duram mais que sete anos. E outro dia encontrei com uma moça, minha amiga, que casou em maio, fiquei tempo sem ver. Quando a encontrei, ela já estava separada! &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A que o você atribui a fragilidade dos relacionamentos hoje em dia?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Houve a liberação dos costumes. Que hoje não são os mesmo da minha avó. Houve a emancipação da mulher e o declínio da autoridade da família. Os rapazes e as moças saem mais cedo para morar com amigos e amigas, uma boa parte faz isso. E a emancipação da mulher, pela evolução econômica, a mulher já é senhora de si, não depende do dinheiro do marido. A família hoje não é mais ampla, hoje é nuclear, pai e mãe e filho. Minha avó teve 12 filhos!&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Mas a emancipação da mulher não é positiva?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;A emancipação da mulher é algo positivo, mas o homem não aceita isso ainda, ele ainda está em fase machista e patriarcal. Vem daí os desencontros, distorções,  crimes, assassinatos da mulher que “abandona” o homem... Ele mata não porque foi abandonado, mas porque ela decidiu viver com outro. O homem ainda não aceitou a emancipação da mulher em tudo o que ela representa. Ele ainda quer ser o chefe de família, ser dominador, quando hoje não existe mais isso de chefe de família, o importante é o casal. E nessa época do Natal é ruim para filhos de pais separados, porque as famílias, até as nucleares, estão dissociadas, um filho do primeiro casal fica dividido entre duas ou três famílias, quando os pais se casam novamente. Então, a emancipação da mulher... o homem ainda não aceitou; ainda vivemos a fase machista, ainda quer ser o dono da casa, o senhor. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Porque o sernhor não casou de novo?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Eu não me casei, na verdade eu vivi com uma moça um número de anos lá no Rio. Mas não é que eu não casei porque não procurei. Eu encontrei algumas vezes. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Por que o sr. não paquera as mulheres da sua idade?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;Porque elas reclamam muito do reumatismo (gargalhadas!) Porque o joelho tá doendo muito, não quer andar, sair da cama, etc.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Esse carinho especial pelas mulheres mais novas é uma paixão fraternal, ou uma forma de se rejuvenescer?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Não sei se é uma forma de rejuvenescer ou de envelhecê-las (risos), porque estou com quase 81 anos. Quer dizer, mas espiritualmente e fisicamente eu me sinto jovem, faço caminhadas, a passo acelerado, nado, leio bastante, leio revistas e livros, me mantenho atualizado. Leio até revistas de áreas de estudos especificas, além das revistas semanais. Gosto muito de arte, gosto muito.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Mas o sr já esteve realmente apaixonado?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Olha, eu tive um professor que dizia que a paixão, a chamada paixão, do cara ficar obcecado, isso é obsessão. O que existe é amor, que é o tripé, que é ato disso, daquilo, como expliquei. Essa tal “paixão” é negativa. O amor é construtivo. O sujeito, quando ele... quando ele mata por “paixão”... mata ou se mata, na realidade, ele não estava amando, porque o amor é construtivo, isso é obsessivo, não é amor. Essa coisa do sujeito só pensar “nela”, ele tá unilateralmente olhando só para o segundo ou primeiro “Eus”, ele não está vendo ele e o “Nós”. Um está anulando o outro. Porque o amor é construção, é um ato de doar, de comunhão. Na obsessão, ele quer ser doado e quer que ela se doe, e ele não se doa. Ele quer um ato de conviver, mas o conviver é o “Ela” apenas. Quer comunhão, mas comunhão é “Ela” apenas. Isso destrói a personalidade. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Você acha que, em certo aspecto, o Vinicus de Morais era obsessivo?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Não, ele era mais construtivo. Era uma forma de viver intensamente. O Vinicius amava o amor, mas o amor tinha a forma de mulher, porque ela que materialmente, que de forma visível, carnal, expressava, traduzia, esse amor. Esse amor pelo amor. Sabe? O Vinicus sofreu grandes injustiças durante o governo ditatorial, e foi chamado até de vagabundo, e foi demitido quando era cônsul em Paris. Quem demitiu o Vinicus, não o compreendeu. O homem se fechou em viseiras e não via o mundo.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Como é viver 80 anos? Como você sentiu o tempo passar?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Na realidade, eu não senti o tempo passar, porque não foi ele que passou, fui eu! Eu que passei pelo tempo. Então, a gente ... vai... As coisas não se transformam de uma hora para outra. A lentidão dos dias, das horas, dos minutos e tal, você não vai sentindo as transformações. É muito lento. Por exemplo, eu não vejo um sobrinho-neto há, não via, há uns quatro anos. E outro dia eu o vi. Ele veio do Rio e tal e me encontrei com ele. A última vez que eu o vi ele tinha 3 anos. Quando reencontrei, estava com 7 anos, e me espantei ao vê-lo. E os pais não acharam, como eu achei, que ele havia crescido tanto, porque não sentem o crescimento dele. A vida é mais ou menos isso, a gente não sente ela transcorrer porque as mudanças são muito lentas, milimétricamente falando. Só após 2 ou 3 anos você vai sentir que a coisa cresceu, que está diferente.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Outro dia vi uns retratos meus quando criança, inclusive aquele clássico de bundinha para cima aquela coisa e tal no berço, depois 5 anos, 10 anos. E as mais recentes. As diferenças foram notáveis e eu não percebi isso no espelho. Ninguém percebe. Nasce um cabelo branco, você nem repara. No fim de 10 anos, a cabeça já está toda branca e você nem percebeu. &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34312315-116835542831656750?l=rogermarzochi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/feeds/116835542831656750/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34312315&amp;postID=116835542831656750' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/116835542831656750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/116835542831656750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/2007/01/atravs-do-pijama-de-voltaire.html' title='Através do &quot;pijama&quot; de Voltaire'/><author><name>Roger</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17203552484862162917</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34312315.post-116226895186038814</id><published>2006-10-30T20:16:00.000-08:00</published><updated>2007-01-15T15:09:25.883-08:00</updated><title type='text'>Os jardins de Marcelino</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/5532/3779/1600/748232/Marcelino2.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/5532/3779/320/83774/Marcelino2.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;p&gt;No hall de um banco no segundo andar de um jornal na capital paulista, próximo ao caixa de atendimento eletrônico, as folhas de um arbusto são alisadas com um pano branco, enquanto clientes esbaforidos entram e saem do local, tiram e colocam um cartão numa máquina esperando a saída de folhas do extrato bancário, de cédulas de dinheiro. Ele vai borrifando um líquido mágico, envolvendo a folhagem numa nuvem de gotículas como a um abraço. O arbusto retoma a cor verde-bandeira, refletindo até mesmo a fraca luz fria da lâmpada no teto e os restos de sol que a parede de vidro a frente deixa passar, espremida entre dois prédios. Seu Pedro Marcelino não gosta de dizer que é jardineiro. Não que tenha vergonha da profissão, mas porque para ele não é o nome que importa, mas o amor que tem pelas plantas que cuida. E avalia que nunca, ninguém, pode-se dizer “O Jardineiro”. “Acima sempre há alguém que conhece mais que você.”&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Aos 70 anos, o menino que começou a trabalhar como sapateiro, interessou-se pela jardinagem quando a moeda ainda era chamada de réis. Começou a trabalhar em uma empresa de paisagismo na qual o engenheiro agrônomo dava aulas sobre agronomia, conhecimento do qual ele se orgulha tanto pela experiência como pela bondade com a qual o engenheiro lhe ensinara. Mas apesar do saber técnico, das misturas de adubos e do tamanho das covas necessárias para dar às raízes a força para sustentar seus caules, seu Marcelino desenvolveu uma sensibilidade tal, que não seria exagero dizer que ele tem o dom de conversar com as plantas. Seus cabelos totalmente brancos, que eram compridos até bem pouco tempo, mas que aparara para “se apresentar melhor no trabalho”, e seu olhar tenro em meio às sobrancelhas esparramadas, rejuvenescem-se ainda mais voltando no tempo para contar como tudo começou.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Nem todos os engenheiros, que ele chama de doutores, eram altivos como aquele que ensinou sua arte. Lembra que certa vez, uma “doutora” fazia a mistura errada de adubo e terra. Com simplicidade e respeito, Marcelino avisou que aquilo prejudicaria as plantas. “A engenheira aqui sou eu”, retrucara a agrônoma. Entendendo o recado, enquanto ela trabalhava nos vasos dispostos em um lado do corredor de um escritório, Marcelino fez o que sua experiência e sensibilidade mandavam em outro grupo de vasos.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Semanas depois, o cliente que estava de volta ao escritório, reclamando da morte de algumas plantas. O patrão questionou Marcelino, que teve que contar o que ocorreu. As flores que ele plantara, estavam vivas e frondosas. “Engenheiro, as vezes, gosta de falar bonito, falar o nome científico das plantas. Você fica espantado ao ouvir o nome, qual seria aquela planta que ele disse agora? E aí vem e você vê que é uma dessas que a gente vê sempre por aí”, sorri. “Os doutores estudam o que eu vejo na prática.” &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;De arrepiar&lt;/strong&gt; – Ele lembra da primeira vez em que decidiu trabalhar por conta própria, após sair desse seu primeiro emprego. Passou por uma mansão no Morumbi, cujos jardins estavam horríveis. Pediu ao segurança que chamasse a patroa, para oferecer o seu serviço. Ela se empolgou, porque Marcelino prometeu maravilhas e cobrou só “200 réis”. “Ela queria conversar primeiro com o marido, no almoço, e pediu para eu voltar.” Quando voltou, a madame o dispensou, dizendo que iriam viajar para os Estados Unidos naquela mesma semana. Chateado, saiu da casa e, na portaria, o segurança perguntou se havia conseguido o emprego. “Não”, respondeu. “Eles vão viajar, e...” &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt; “Rapaz, vem cá! Eu ouvi a conversa deles no almoço. O patrão mandou te dispensar, porque disse que você cobrou muito pouco e, por isso, não deveria entender nada de jardim”, disse o segurança. “Vê se te dá mais valor menino!”, relembra o conselho, contando a história e mostrando o braço com os pelos arrepiados pela recordação. Na mansão ao lado, chamou a outra patroa e cobrou algo como “ 20 mil réis”. Ela aceitou, fazendo brotar um jardim incrível. “E não é que essa patroa, que aceitou o serviço, era prima daquela primeira! Não acreditei quando a vi, dias depois, lá na casa que eu trabalhei, querendo meu serviço.” &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Nesses quase 60 anos plantando flores, Marcelino carrega um pouco de cada planta que fez germinar na simplicidade de enfrentar a vida, que apesar de muitas vezes parecer estéril, explode em flor na realização de pequenos sonhos, que fazem da existência um jardim melhor.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34312315-116226895186038814?l=rogermarzochi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/feeds/116226895186038814/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34312315&amp;postID=116226895186038814' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/116226895186038814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/116226895186038814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/2006/10/os-jardins-de-marcelino.html' title='Os jardins de Marcelino'/><author><name>Roger</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17203552484862162917</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34312315.post-116058049169185847</id><published>2006-10-11T08:15:00.000-07:00</published><updated>2006-10-11T08:28:11.703-07:00</updated><title type='text'>Faraway, so close</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/5532/3779/1600/faraway1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5532/3779/400/faraway1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;"You...you, whom we love...you do not see us...you do not hear us.You imagine us in the far distance... yet we are so near. We are messengers...who bring closeness to those who are distant. The light to those who are in darkness. The word to those who question.  We are neither the light, nor the message. We are the messengers. We...are nothing. You are, for us…  everything."&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34312315-116058049169185847?l=rogermarzochi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/feeds/116058049169185847/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34312315&amp;postID=116058049169185847' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/116058049169185847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/116058049169185847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/2006/10/faraway-so-close.html' title='Faraway, so close'/><author><name>Roger</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17203552484862162917</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34312315.post-115824857972533674</id><published>2006-09-14T08:36:00.000-07:00</published><updated>2007-01-15T15:05:41.733-08:00</updated><title type='text'>Dois homens, várias missões</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/5532/3779/1600/festa1.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5532/3779/200/festa1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Olhando-me por sobre os óculos, presos ao nariz como se fosse um pincenê, ele me disse na fila de um supermercado da Lexington Avenue: “eu descobri qual é a minha missão neste país...” Era 12 de setembro de 2001, eu e Nicolau Centola, estávamos em Nova York já há dois dias para cobrir o lançamento de um nova plataforma de comércio eletrônico de uma pontocom que, mais tarde, abriria um escritório no Brasil, pouco antes da explosão da bolha de prosperidade da Nasdaq. Ele, editor da falecida Internet Business; eu, repórter da também finada revista americana-tupiniquim The Industry Standard. Um dia após os ataques que dizimaram as Torres Gêmeas do World Trade Center, aquela afirmação de Nicolau na fila do supermercado parecia algo enigmático. Afinal, além de toda a áurea de suspende que aqueles dias inspiravam, eu o havia conhecido pela primeira vez no JFK, fumando um cigarro justamente em uma área onde a nicotina era terminantemente proibida. “Minha missão é experimentar Doritos de todos os sabores”, continuou, com um ar de como se houvesse descoberto a razão de sua viagem até o País das Maravilhas. “É sério! Quando estive na Europa com meu amigo Coca, a minha missão foi experimentar todos os sabores de fanta”, argumentou, ao perceber que eu achava aquilo uma brincadeira. Realmente, as histórias que haviam me contado na redação sobre o Nicolau, o mito do jornalista da tecnologia da informação, começavam a fazer sentido.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Mas não era brincadeira. E nem era sua única missão. No dia 10 de setembro, ao chegarmos ao hotel da Lexington às 7h da madrugada daquela segunda-feira, ele me arrastou para o Village com a missão de comprar discos de vinil, uma de suas paixões, uma vez que apenas poderíamos entrar no hotel após às 12h. Olhando o mapa da cidade, sentenciou: “vamos a pé, é fácil chegar lá.” Para um homem que morava na Granja Viana, em São Paulo, pensar que o Village estava próximo de onde estávamos naquele momento, sem dúvida era uma blasfêmia. Andamos como os beduínos no deserto até uma loja que o mito, o homem Nicolau, já havia pesquisado no Brasil antes da viagem. Após longa caminhada, bolhas nos pés, ele ainda ficou na loja apreciando os vinis por quase um hora, que me pareciam intermináveis.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;Na volta, caminhando novamente, é claro, para comprovar a propaganda do uísque Johnnie Walker, avistou no topo do céu de concreto as Torres Gêmeas. “Vamos visitar o topo do WTC amanhã, após a coletiva”, explicou o mestre, que após a revista na qual trabalhava naufragar, seria ele o meu próximo editor.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Ao chegarmos no hotel, descobrimos que nossas bagagens haviam sido transladadas para outro hotel, na mesma rua, mas no quarteirão seguinte. Resignados, andamos até lá sem entender muito bem a mudança. Descansamos, para à noite participar de um jantar com os executivos na deslumbrante Grand Central Stantion. No horário marcado, o encontrei no hall de hotel. “Você conseguiu tomar banho?”, pergunto. Realmente, havia tomado banho com dificuldade. Não achava o maldito registro da água. A todo botão que apertava, apenas a banheira se enchia. Mas mexi até conseguir fazer cair do a água do chuveiro. “Putz, eu tomei banho ‘techco’”, gargalhou Cento-lá. Fomos até aquele lugar magnífico em companhia de um jornalista mexicano. Havia outras duas repórteres estrangeiras avessas a qualquer contato: uma japonesa e outra australiana, nada amigáveis. Apostamos que elas eram lésbicas, mas até hoje nada descobrimos!&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;No jantar, após as apresentações, fiz todas as perguntas imagináveis aos executivos, porque já queria escrever uma nota para o site da revista naquela noite mesmo. Nada, estavam impassíveis. Teríamos que esperar a coletiva no dia seguinte. Porém durante as tentativas de arrancar alguma notícia daquelas almas inflexíveis, fui bebendo cerveja, bebendo... Até que na negativa oficial e categórica do executivo que não falaria nada, que era para aproveitarmos o jantar e descontrairmos, soltei a célebre frase em inglês, até hoje nos anais do New York Book Review: “Ok, then we gonna put the feet on the ‘jaca’”. O Nicolau, que estava ao meu lado, obviamente iniciou uma gargalhada estrondosa, para espanto dos convescotes, que mal poderiam entender o que seria enfiar os pés na jaca, muito menos o que era essa fruta tropical. “You know, today I´ll gonna kill the dog by screaming!” Mata cachorro a grito também não era usual entre os americanos, que têm gírias muuuuuito melhores.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;No dia seguinte, 8h30 da manhã, estava como sempre atrasado para uma coletiva. Ao chegar ao salão de eventos do hotel, já com um prato na mão contendo ovos mexidos, fiquei sabendo que “parecia” que um avião havia trombado com uma torre do WTC. A coletiva começou, dando tempo para os executivos anunciarem investimentos no Brasil e as características do seu modelo de negócios, e... outro avião também parecia ter trombada com a mesma torre. A mesma? Esses pilotos não têm brevê? Era um avião pequeno, parece que não bateu na torre, mas passou ao lado e caiu. Os executivos tentaram continuar a coletiva, mas na Lexington o ruído de cirenes, carros buzinando, já eram ensurdecedores. Fomos para frente do hotel e para a TV. As imagens eram inacreditáveis. Na porta do hotel, um grupo de brasileiros que diziam trabalhar em Wall Street reclamavam da vida, do caos. Motoristas de taxis parados ouvindo rádio, atônitos. E ao longe, uma fumaça no alto do céu de concreto. O resto da história todos já sabem...&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Alucinados, fomos novamente à moda Johnnie Walker encontrar o WTC, vendo cenas de desespero dos nova-iorquinos, ao telefone falando com familiares. Mas depois de caminhar os mais de 60 quarteirões até o WTC, não conseguimos ver muita coisa. A polícia havia interditado uma área extensa. Meu editor, um dos grandes jornalista de TI sem puxar o saco, Ralf Manzoni, e meus amigos e minha família ficaram perplexos como que viram. “Quando estive lá, a coletiva tinha sido no WTC!”, disse quando eu havia retornado são, mas não salvo, ao Brasil. Ligaram para o hotel onde eu deveria estar, mas a recepcionista afirmara não haver registros de um tal de Roger e Nicolau. Como não havia notícia no jantar da segunda, e como estava exausto, pensei em avisar da mudança de hotel apenas após a coletiva do dia seguinte. O que poderia acontecer de errado até lá?&lt;/p&gt; &lt;br /&gt;&lt;p&gt;Os três maços de Free que levara comigo na mala foram completamente insuficientes, porque com os aeroportos fechados, ficamos uma semana sitiados naquela cidade, que me possibilitaria visitar museus, show de jazz, bares... Tudo fechava às 23h e o cigarro naquela cidade custava escandalosos US$ 5. Apesar do caos, o que para um jornalista é um ingrediente a mais de emoção em um lugar mítico como Nova York, eu e Nicolau andamos além do que imaginávamos e passamos por muitas outras experiências fantásticas. Como bons amigos, parceiros na irreverência frente às insanidades nessa nova era de histeria coletiva, nos vestimos de Torres Gêmeas na festa à fantasia de fevereiro de 2002. Nossa missão não são mais os Doritos, nem apenas os vinis, nem “matar cães a grito”. Mas a alegria de, como brasileiros, fazer graça em meio ao caos.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/5532/3779/1600/WTC6.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5532/3779/200/WTC6.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34312315-115824857972533674?l=rogermarzochi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/feeds/115824857972533674/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34312315&amp;postID=115824857972533674' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/115824857972533674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/115824857972533674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/2006/09/dois-homens-vrias-misses.html' title='Dois homens, várias missões'/><author><name>Roger</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17203552484862162917</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-34312315.post-115812703016670902</id><published>2006-09-12T22:50:00.000-07:00</published><updated>2006-09-12T23:01:23.960-07:00</updated><title type='text'>Danos colaterais</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/5532/3779/1600/WTC3.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5532/3779/200/WTC3.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Roger Marzochi&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Foto do aquivo de Nicolau Centola&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Quinta avenida, quarta-feira dia 12 de setembro de 2001. Nova York já havia experimentado a fúria do ataque extremista às torres gêmeas do World Trade Center (WTC). O Ground Zero, como foi batizada pelos norte-americanos a área destruída pelo desmoronamento dos gigantescos edifícios, estava já gravada na mente estarrecida do planeta. A fumaça e a poeira, que continuavam ainda sendo carregadas pelo vento, parecia obscurecer toda a cidade. Diferentemente da fúria que muitos norte-americanos vinham demonstrando, o saxofonista Jessi Smith foi para a quinta avenida praticamente vazia, acreditando que com a música pudesse de alguma forma atenuar a tristeza e o medo. Em arranjos belíssimos de blues, seu o som ecoou por entre os edifícios, até o coração de Mannhattan. "Não é possível acreditar no que aconteceu. A política internacional dos Estados Unidos provocou isso. Mas é preciso de alguma forma dar conforto às pessoas, talvez com música", disse Smith, que à época conseguia 50 dólares por dia tocando nas ruas da cidade.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Conforto e segurança foram tudo o que os Estados Unidos perderam após esse ataque. Os mais de 3 mil mortos injustamente por Osama Bin Laden tiraram dos americanos o sentimento de invencibilidade. "Nós não somos, nem nunca fomos imbatíveis, super heróis, imortais. O mundo precisa entender que também precisamos de ajuda e compreensão", disse Mary Monahan, atriz da Pensylvania, que reconhecia que a ação era uma resposta aos atos cometidos pelos Estados Unidos durante anos, mas que não podia acreditar na morte de inocentes.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Na quinta-feira, dia 13, ameaças de bomba nos prédios do JP Morgan e Chase, próximos à avenida Park, colocaram a cidade em pânico. Polícia e bombeiros rondavam a cidade como que perdidos entre tantos alarmes falsos. As pessoas corriam da área onde havia a ameaça, lotando calçadas e fechando parcialmente as ruas, caos completo e desespero. "A cidade nunca vai ser a mesma. Dizer que voltamos ao trabalho normal não é possível. Nada estará na normalidade", lamentou Diana Ramona, funcionária do banco Chase que havia se retirado do prédio junto com outros colegas de trabalho após a ameaça de bomba. No Central Park um avião cortou os céus durante o período em que os aeroportos haviam sido fechados. Atônitos os nova-iorquinos olhavam para o alto, continuando a caminhada após perceber que era um avião da Foça Aérea Americana.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Não há como negar que esse foi um ataque covarde, igual a outros também lançados pelos Estados Unidos. O Al-Qaeda conseguiu matar pessoas de 82 nacionalidades nas torres gêmeas. No momento do choque do primeiro avião com a primeira torre do WTC, a maioria das pessoas que lá estavam era composta de gente simples. Lavadores de janela, faxineiros, cozinheiros, garçons, secretárias. Norte-americanos, indianos, brasileiros, árabes, mexicanos e outros tantos já naturalizados. "A nata da sociedade nova-iorquina vai trabalhar depois das 8h. O nosso país fez coisas certas na história e também cometeu muitos erros. Mas pessoas simples não podem pagar pelos erros de um governo. Foi um crime", completa Mary. Um executivo do Texas, que tomava café na manhã do dia 12, há 60 quarteirões dos escombros do WTC, vendo passar uma garota com máscara de proteção contra a poeira, disparou críticas ao presidente Bush, por indiretamente ser o responsável pelo ataque. “Foi um crime bárbaro... mas infelizmente Bush provocou isso.”&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Na avenida Lexington, no prédio da polícia de Nova York, onde foi montado um dos centros de coordenação do resgate de sobreviventes, emergiu um tipo de cemitério sem corpos. Por todas as paredes, cabines telefônicas, muros, espalhavam-se cartazes com o rosto das vítimas, no desespero das famílias e amigos que mantinham a fé de reencontrar os desaparecidos. Velas, tristeza e compaixão. Algumas fotos, já molhadas pela chuva que caíra na sexta-feira 14, mostravam pessoas sem rosto, cores misturadas, a própria caricatura da mutilação.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Os ataques trouxeram para o centro da civilização ocidental a noção dos “danos colaterais” de uma guerra, do modo jamais experimentado pela maior potência militar do planeta. Que os americanos e os povos de 82 nacionalidades, cujos conterrâneos perderam a vida nos ataques, transformem sua revolta em ação pelo voto e pelo protesto. A dimensão da tragédia pessoal nunca pode ser esquecida nem com os ataques aos Estados Unidos, nem com a invasão criminosa do Iraque, da tragédia cotidiana  dos palestinos e libaneses.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/34312315-115812703016670902?l=rogermarzochi.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/feeds/115812703016670902/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=34312315&amp;postID=115812703016670902' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/115812703016670902'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/34312315/posts/default/115812703016670902'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rogermarzochi.blogspot.com/2006/09/danos-colaterais.html' title='Danos colaterais'/><author><name>Roger</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17203552484862162917</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
